Sábado, Novembro 07, 2009

Uma hipótese sobre Caretano Meloso

- Há 15 anos e 11 discos, Caetano está perdendo contato com a realidade.

Pistas:

- A começar pela última flor do lácio, desde Fina Estampa (1994), em que ele canta em castelhano e começa a usar gravata, são discos dedicados a outras línguas, outras culturas, até chegarmos aos mais recentes (que devem ser para outras pessoas, já que desconfio que poucos ou nenhum de nós sabe sequer assoviar uma de suas melodias, e isso, nós, que somos fãs!), Caetano se afasta cada vez mais do Brasil, do seu povo e do seu próprio público. Exceção, como que para confirmar a regra, está Livro (1997).

- Olhando para trás nestes anos, temos que reconhecer que tivemos que justificar, desculpar ou fingir que não ficamos sabendo de uma longa lista de bobagens, desde babação de ovo a FHC e Dona Ruth, até o cúmulo de dizer que Lula é analfabeto, cafona e não sabe falar, passando por se declarar contra as políticas compensatórias das cotas raciais, e até elogios e promoções de bandas de axé, forró, pagode e sertanejos, de filmes mediocres (inclusive em pleno carnaval, se dando o direito de repetir por mais 1 hora a música tema de sua autoria para fins promocionais, e que se lixassem os foliões), etc. É ou não é? Deu até vergonha em certos momentos...

- Se o Brasil que lhe interessa nesse período é através da leitura de Joaquim Nabuco, inspirador de Noites do Norte (2000), e Mangabeira Unger, “estamos feitos”, como ele vociferava à juventude reacionária e careta em festival de música dos 60.

- Não entender o que se passa com o Brasil agora é inversamente proporcional ao sensacional entendimento que teve do país quando da Tropicália. A justaposição da guitarra elétrica, poesia concreta e as manifestações profundas da cultura brasileira rendeu frutos suculentos e saborosos no final dos anos 60, que nos introduziu na crista da onda. Se politicamente não se podia respirar, uma lufada de ar fresco vinha da turma tropicalista.

- Seu alinhamento atual ao lugar comum da elite arcaica é sinal de que ele ascendeu ao andar de cima tanto financeiramente quanto intelectualmente.

Discografia recente:

Fina Estampa (1994)

Fina Estampa ao Vivo (1995)

Livro (1997)

Prenda Minha - ao vivo (1998)

Omaggio a Federico e Giulieta ao Vivo (1999)

Noites do Norte (2000)

Noites do Norte ao Vivo (2001)

A Foreign Sound (2004)

(2006)

Cê ao vivo (2007)

Zii e Zie (2009)

Sexta-feira, Novembro 06, 2009

Uma liderança do povo brasileiro

"Lula é um gênio político, mistura de Vargas e JK; uma liderança do povo brasileiro que tem uma sorte danada, ademais de ser muito competente (...) Esta é a minha avaliação e de 70% da população. Na verdade, só a classe média --dita ilustrada-- e a grande imprensa são contra. Contra também não sei o quê... "

(Maria da Conceição Tavares, no Valor, na semana em que FHC & Caê chamaram Lula de analfabeto, cafona, autoritário, sub-peronista, grosseiro e outros xiliques do velho repertório udenista; 06-11)

Quarta-feira, Outubro 14, 2009

Monteiro Lobato e Honoré de Balzac

"Balzac é o gênio da alma moderna como Shakespeare foi o gênio da alma antiga. Penetrar, como Balzac fez, no fundo do pensamento moderno e pôr a nu todas as almas: quem mais que Balzac o fez? Meu entusiasmo é tanto que só tenho um conselho a dar-te: lê O lírio do vale e depois varre da tua cabeça o alfabeto, para que nenhum livro venha a profanar essa leitura suprema e última. Lê O lírio, Rangel, e morre. Lê O lírio, e suicida-te, Rangel. Se não tens por aí, posso mandar-te o meu - e junto o revolver."

Este trecho bem-humorado de um bilhete a Godofredo Rangel mostra bem o entusiasmo de Monteiro Lobato por O lírio do vale, romance controverso na sua origem, admirado por uns e odiado por outros, mas hoje, quase duzentos anos depois de publicado, consirderado uma das obras-primas de Honoré de Balzac.



in O lírio do vale, Balzac, Honoré, introdução de Ivan Pinheiro Machado, L&PM.

Segunda-feira, Outubro 12, 2009

This is Where We Live

This Is Where We Live from 4th Estate on Vimeo.

Sexta-feira, Outubro 09, 2009

Mónadas



"Leibniz concebía el universo compuesto de "mónadas", sustancias microscópicas cerradas sobre sí mismas, sin ventanas hacia el exterior. Uno no puede dejar de notar la asombrosa semejanza entre le "monadología" e Leibniz y la creciente comunidad ciberespacial en la que la armonía global y el solipsismo coexistem de manera extraña. Es decir, nuestra inmersión en el ciberespacio, ¿no es simultánea con nuestra reducción a una mónada leibniziana que, aunque carezca de "ventanas" que la comuniquem con la realidad exterior, refleja el universo entero? Somos cada vez más mónadas sin ventanas a la realidad, interactuando a solas con la pantalla de la computadora, relacioándonos sólo con simulacros virtuales, y a la vez inmersos más que nunca en la red global, en comunicación con el mundo entero."


Žižek, Slavoj, Cómo leer a Lacan, Buenos Aires: Paidós, 2008.

Sábado, Outubro 03, 2009

La negra Mercedes Sosa

Todo cambia

Cambia lo superficial
cambia también lo profundo
cambia el modo de pensar
cambia todo en este mundo

Cambia el clima con los años
cambia el pastor su rebaño
y así como todo cambia
que yo cambie no es extraño

Cambia el mas fino brillante
de mano en mano su brillo
cambia el nido el pajarillo
cambia el sentir un amante

Cambia el rumbo el caminante
aunque esto le cause daño
y así como todo cambia
que yo cambie no extraño

Cambia todo cambia
Cambia todo cambia
Cambia todo cambia
Cambia todo cambia

Cambia el sol en su carrera
cuando la noche subsiste
cambia la planta y se viste
de verde en la primavera

Cambia el pelaje la fiera
Cambia el cabello el anciano
y así como todo cambia
que yo cambie no es extraño

Pero no cambia mi amor
por mas lejos que me encuentre
ni el recuerdo ni el dolor
de mi pueblo y de mi gente

Lo que cambió ayer
tendrá que cambiar mañana
así como cambio yo
en esta tierra lejana

Cambia todo cambia
Cambia todo cambia
Cambia todo cambia
Cambia todo cambia

Pero no cambia mi amor...

Terça-feira, Setembro 22, 2009

Qual é o fato relevante?


Terça-feira, Setembro 15, 2009

Sexta-feira, Setembro 11, 2009

Domingo, Agosto 30, 2009

Xixi no banho

Quarta-feira, Agosto 26, 2009

History of Weed II

Sexta-feira, Agosto 21, 2009

Usain Lightning Bolt


Quinta-feira, Agosto 20, 2009

Usain Bolt, 200%

Domingo, Agosto 16, 2009

Bolt sensacional

"Eu me divirto antes da corrida, mas depois eu me concentro. Sei o que é necessário eu fazer e não tenho preocupação", disse o velocista, que deu uma volta olímpica no estádio e ainda voltou horas depois ao local onde quebrou o recorde e cumprimentou funcionários que limpavam a pista.

Segunda-feira, Agosto 10, 2009

Mário Cravo Neto





1947 - 2009

Sexta-feira, Agosto 07, 2009

Ipê amarelo no inverno de Brasília



Segunda-feira, Julho 20, 2009

Lunik 9

Gilberto Gil

Poetas, seresteiros, namorados, correi
É chegada a hora de escrever e cantar
Talvez as derradeiras noites de luar

Momento histórico, simples resultado do desenvolvimento da ciência viva
Afirmação do homem normal, gradativa sobre o universo natural
Sei lá que mais

Ah, sim! Os místicos também profetizando em tudo o fim do mundo
E em tudo o início dos tempos do além
Em cada consciência, em todos os confins
Da nova guerra ouvem-se os clarins
Guerra diferente das tradicionais, guerra de astronautas nos espaços siderais
E tudo isso em meio às discussões, muitos palpites, mil opiniões
Um fato só já existe que ninguém pode negar, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1, já!

E lá se foi o homem conquistar os mundos lá se foi
Lá se foi buscando a esperança que aqui já se foi
Nos jornais, manchetes, sensação, reportagens, fotos, conclusão:
A lua foi alcançada afinal, muito bem, confesso que estou contente também

A mim me resta disso tudo uma tristeza só
Talvez não tenha mais luar pra clarear minha canção
O que será do verso sem luar?
O que será do mar, da flor, do violão?
Tenho pensado tanto, mas nem sei

Poetas, seresteiros, namorados, correi
É chegada a hora de escrever e cantar
Talvez as derradeiras noites de luar

Sexta-feira, Julho 03, 2009

History of Weed

Bem Jorge


Quarta-feira, Julho 01, 2009

A foto do poster


Ronalducho e seus Cascões

Terça-feira, Junho 30, 2009

Derechil

Sábado, Junho 27, 2009

Morphine



He got flat baby
Kick in the back baby
A heart attack baby
I need your body

A hot kiss honey
He's just a bitch baby
You make me sick baby
So unrelying

I'm such a swine baby
All down the line daddy
I hate your kind baby
So unreliable

A hot buzz baby
He's one of us baby
Another drug baby
You so desire

Trust in me
Trust in me
Put all your trust in me
You're doin' morphine

Hoo!

They got place baby
Kicked in the face baby
You hate your race baby
You're just a liar

Your every lick baby
Your dog's a bitch baby
You make me sick baby
You soul survivor

She never cut from me
She never cut baby
I had to work baby
You just a rival

Always to please daddy
Right up and leave daddy
You're thorwing shame daddy
So undesirable

Trust in me
Just in me
Put all your trsut in me
You're doin' morphine

Go'on babe

Relax
This won't hurt you
Before I put it in
Close your eyes and count to ten
Don't cry
I won't convert you
There's no need to dismay
Close your eyes and drift away

Demerol
Demerol
Oh God he's taking demerol
Demerol
Demerol
Oh God he's taking demerol

He's tried
Hard to convince her
To be over what he had
Today he wants it twice as bad
Don't cry
I won't resent you
Yesterday you had his trust
Today he's taking twice as much

Demerol
Demerol
Oh God he's taking demerol
Hee-hee-hee
Demerol
Demerol
Oh my Oh God it's Demerol
Hee
Oooh

Oh!

He got shit baby
Your dog's a bitch baby
You make me sick baby
You are a liar

Is truth a game daddy
To win the fame baby
It's all the same baby
You're so reliable

Trust in me
Trust in me
Put all your trust in me
She's doin' morphine

Hoo!

You just sit around just talkin' nothing
You're takin' morphine
Hoo!
Go'on baby
You just sit around just talking about it
You're takin' morphine
Hoo-hoo!
Just sit around just talking nothing about it
You're takin' morphine
You just sit around just talking about it
You're taking morphine
You just sit around just talkin' nothin'
And takin' morphine

Hoo-hoo
I'm going down baby
You're talkin' Morphine

Go'on baby!
Hoo!
Hoo!
Morphine!
Do it!
Hoo!
He's takin' morphine
Morphine!
Morphine!

Sexta-feira, Junho 26, 2009

Michael Jackson sings Ain't No Sunshine

Sexta-feira, Junho 12, 2009

Chris Marker

"Godard definiu de uma vez por todas: no cinema, você levanta os olhos para a tela; na televisão, você baixa os olhos para o monitor. E ainda há a questão do projetor: as duas horas de uma sessão de cinema são passadas no escuro. É a porção noturna que fica junto a nós, que fixa a memória de um filme de um modo bem diferente de um filme num monitor de TV ou de computador. E vamos ser honestos: é bem diferente. Assiti outro dia “Um americano em Paris” na tela do meu iBook e quase redescobri a luz que eu havia sentido em Londres, em 1952, quando estava filmando com Alain Resnais e Ghislain Cloquet “Les statues meurent aussi”... Nós começávamos a filmar todos os dias, depois de ver a sessão matinal, das 10h, de “Um americano em Paris” num cinema da Leiscester Square. Eu achei que havia perdido aquela luz para sempre, até que revi o filme no computador."

Quarta-feira, Junho 03, 2009

As cotas desmentiram as urucubacas

ELIO GASPARI

Os negros desorganizariam as universidades, como a Abolição destruiria a economia brasileira.


QUEM ACOMPANHASSE os debates na Câmara dos Deputados em 1884 poderia ouvir a leitura de uma moção de fazendeiros do Rio de Janeiro:
"Ninguém no Brasil sustenta a escravidão pela escravidão, mas não há um só brasileiro que não se oponha aos perigos da desorganização do atual sistema de trabalho."

Livres os negros, as cidades seriam invadidas por "turbas ignaras", "gente refratária ao trabalho e ávida de ociosidade". A produção seria destruída e a segurança das famílias estaria ameaçada.

Veio a Abolição, o Apocalipse ficou para depois e o Brasil melhorou (ou será que alguém duvida?).

Passados dez anos do início do debate em torno das ações afirmativas e do recurso às cotas para facilitar o acesso dos negros às universidades públicas brasileiras, felizmente é possível conferir a consistência dos argumentos apresentados contra essa iniciativa.

De saída, veio a advertência de que as cotas exacerbariam a questão racial. Essa ameaça vai completar 18 anos e não se registraram casos significativos de exacerbação. Há cerca de 500 mandados de segurança no Judiciário, mas isso nada mais é que a livre disputa pelo direito.

Num curso paralelo veio a mandinga do não-vai-pegar. Hoje há em torno de 60 universidades públicas com sistemas de acesso orientados por cotas e nos últimos cinco anos já se diplomaram cerca de 10 mil jovens beneficiados pela iniciativa.

Havia outro argumento: sem preparo e sem recursos para se manter, os negros entrariam nas universidades, não conseguiriam acompanhar as aulas, desorganizariam os cursos e acabariam deixando as escolas.

Entre 2003 e 2007 a evasão entre os cotistas na Universidade Estadual do Rio de Janeiro foi de 13%. No universo dos não cotistas, esse índice foi de 17%.

Quanto ao aproveitamento, na Uerj, os estudantes que entraram pelas cotas em 2003 conseguiram um desempenho pouco superior aos demais. Na Federal da Bahia, em 2005, os cotistas conseguiram rendimento igual ou melhor que os não cotistas em 32 dos 57 cursos. Em 11 dos 18 cursos de maior concorrência, os cotistas desempenharam-se melhor em 61 % das áreas.

De todas as mandingas lançadas contra as cotas, a mais cruel foi a que levantou o perigo da discriminação, pelos colegas, contra os cotistas.
Caso de pura transferência de preconceito. Não há notícia de tensões nos campus. Mesmo assim, seria ingenuidade acreditar que os negros não receberam olhares atravessados. Tudo bem, mas entraram para as universidades sustentadas pelo dinheiro público.

Tanto Michelle Obama quanto Sonia Sotomayor, uma filha de imigrantes portorriquenhos nomeada para a Suprema Corte, lembram até hoje dos olhares atravessados que receberam ao entrar na Universidade de Princeton. Michelle tratou do assunto em seu trabalho de conclusão do curso. Ela não conseguiu a matrícula por conta de cotas, mas pela prática de ações afirmativas, iniciada em 1964. Logo na universidade onde, em 1939, Radcliffe Heermance, seu poderoso diretor de admissões de 1922 a 1950, disse a um estudante negro admitido acidentalmente que aquela escola não era lugar para ele, pois "um estudante de cor será mais feliz num ambiente com outros de sua raça". Na carta em que escreveu isso, o doutor explicou que nem ele nem a universidade eram racistas.

Terça-feira, Junho 02, 2009

Eduardo Galeano


"A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia, então? Serve para isso: para caminharmos".

Quarta-feira, Maio 27, 2009

Barça! Barça! Barça!

Sexta-feira, Maio 22, 2009

PT amplia liderança partidária e Dilma já ultrapassa 20% de intenção de voto

Pesquisa do instituto Vox Populi realizada entre os dias 2 e 7 de maio mostra que a ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, já tem entre 19% e 25% de intenção de votos para a Presidência da República, caso seja candidata em 2010.

O levantamento, que ouviu duas mil pessoas em todas as regiões do país, mostra ainda que o PT continua sendo o partido de maior preferência da população. O índice, que era de 25% em maio de 2008, saltou para 29% agora. Em seguida, vêm PMDB, com 8%; e PSDB, com 7%. O DEM, ex-PFL, tem apenas 1%.

Os números mostram que 59% dos entrevistados têm muita ou alguma simpatia pelo PT. Para 70%, o PT ajuda o Brasil a crescer.

Encomendada pelo PT, a pesquisa mostra também um quadro de ampla aprovação popular ao governo Lula. A avaliação positiva do presidente (considerando os índices de ótimo, bom e regular positivo) chega a 87%. Para 60%, o Brasil melhorou nos últimos dois anos, enquanto 67% se dizem satisfeitos ou muito satisfeitos com o país.

Veja abaixo os principais números da pesquisa, que tem margem de erro de 2,2 pontos percentuais:

BRASIL

67% estão satisfeitos ou muito satisfeitos, igual a maio de 2008

27% estão insatisfeitos; 5% muito insatisfeitos

Para 60%, Brasil melhorou nos últimos anos

Para 14%, piorou

Para 56%, vai melhorar nos próximos 2 anos

Para 13%, vai piorar

PARTIDOS

Preferência

PT tem 29% da preferência partidária; alta de 4 pontos em relação a 2008 e de 10 pontos sobre 2004.

PMDB tem 8%; PSDB tem 7%; e DEM tem 1%

Eleitores sem preferência: 49%, queda de 15 pontos em relação a 2004 (64%)

Rejeição

PT tem 8% de rejeição, estável em relação a 2008

PMDB tem 5%; PSDB tem 5%; e DEM tem 3%

67% não rejeitam nenhum partido, queda de 2 pontos em relação a 2008 (69%)

Imagem

Primeiro partido que vem à cabeça: PT, 35%; PMDB, 24%; PSDB, 14%.

AVALIAÇÃO DO PT

59% têm muita ou alguma simpatia pelo PT, aumento de 12 pontos sobre 2008

81% acham o PT forte ou muito forte, aumento de 5 pontos em relação a 2008

65% consideram positiva a atuação do PT na política, aumento de 5 pontos sobre 2008

Para 70%, o PT ajuda o Brasil a crescer, aumento de 5 pontos sobre 2008

Opiniões sobre o PT

É dinâmico e trabalhador: 75%, contra 69% em 2008

É moderno, com idéias novas: 75%, contra 69% em 2008

Deve ter candidato próprio à Presidência: 68%, contra 67% em 2008

GOVERNO LULA

Desempenho do presidente

Avaliação positiva: 87% (ótimo, bom e regular positivo), contra 84% em 2008

Avaliação negativa: 13% (ruim, péssimo e regular negativo), contra 15% em 2008

Melhores ações do governo

Programas sociais, 36%; política econômica, 19%; Educação, 8%; Habitação, 7%

ELEIÇÕES

Partido do próximo presidente

Para 34%, próximo presidente deve ser do PT

Projeto de país

Para 73%, próximo presidente deve continuar com todas ou com a maioria das atuais políticas, contra 68% em 2008.

Candidato apoiado por Lula

23% votam com certeza no candidato apoiado por Lula

41% pode votar, dependendo do candidato

10% não votam

22% não levam isso em consideração

INTENÇÃO DE VOTO PARA PRESIDENTE, 1º turno, estimulada

Cenário 1

Ciro Gomes (PSB), Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Heloísa Helena (Psol)

Ciro, 23%; Dilma, 21%; Aécio, 18%; Heloísa, 10%; Branco/Nulo/NS, 18%

Cenário 2

Ciro Gomes (PSB), Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Heloísa Helena (Psol)

Serra, 36%; Dilma, 19%; Ciro, 17%; Heloísa, 8%; Branco/Nulo/NS, 19%

Comparativo: Em relação a maio de 2008, Dilma subiu 10 pontos; Serra caiu 10 pontos; e Ciro caiu 6 pontos.

Cenário 3

Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Heloísa Helena (Psol)

Dilma, 25%; Aécio, 20%; Heloísa, 16%; Brancos/Nulos/NS, 40%

Cenário 4

Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Heloísa Helena (Psol)

Serra, 43%; Dilma, 22%; Heloísa, 11%; Branco/Nulo/NS, 24%

Cenário 5

Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB)

Serra, 48%; Dilma, 25%; Branco/Nulo/NS, 37%

Rejeição

Heloísa, 17%; Aécio, 13%; Serra, 12%; Dilma, 11%; Ciro, 9%.

Terça-feira, Maio 19, 2009

Digamos

(Mario Benedetti, 1920-2009)

1.
Ayer fue yesterday
para buenos colonos
mas por fortuna nuestro
mañana no es tomorrow

2.
Tengo un mañana que es mio
y un mañana que es de todos
el mio acaba mañana
pero sobrevive el otro


Segunda-feira, Maio 18, 2009

Síndrome

(Mario Benedetti, 1920-2009)


Todavía tengo casi todos mis dientes
casi todos mis cabellos y poquísimas canas
puedo hacer y deshacer el amor
trepar una escalera de dos en dos
y correr cuarenta metros detrás del ómnibus
o sea que no debería sentirme viejo
pero el grave problema es que antes
no me fijaba en estos detalles.

Viceversa

(Mario Benedetti, 1920-2009)


Tengo miedo de verte
necesidad de verte
esperanza de verte
desazones de verte.
Tengo ganas de hallarte
preocupación de hallarte
certidumbre de hallarte
pobres dudas de hallarte.
Tengo urgencia de oírte
alegría de oírte
buena suerte de oírte
y temores de oírte.
o sea,
resumiendo
estoy jodido
y radiante
quizá más lo primero
que lo segundo
y también
viceversa.

Si Dios fuera una mujer

(Mario Benedetti, 1920-2009)

¿y si Dios fuera una mujer?
-Juan Gelman

¿Y si Dios fuera mujer?
pregunta Juan sin inmutarse,
vaya, vaya si Dios fuera mujer
es posible que agnósticos y ateos
no dijéramos no con la cabeza
y dijéramos sí con las entrañas.

Tal vez nos acercáramos a su divina desnudez
para besar sus pies no de bronce,
su pubis no de piedra,
sus pechos no de mármol,
sus labios no de yeso.

Si Dios fuera mujer la abrazaríamos
para arrancarla de su lontananza
y no habría que jurar
hasta que la muerte nos separe
ya que sería inmortal por antonomasia
y en vez de transmitirnos SIDA o pánico
nos contagiaría su inmortalidad.

Si Dios fuera mujer no se instalaría
lejana en el reino de los cielos,
sino que nos aguardaría en el zaguán del infierno,
con sus brazos no cerrados,
su rosa no de plástico
y su amor no de ángeles.

Ay Dios mío, Dios mío
si hasta siempre y desde siempre
fueras una mujer
qué lindo escándalo sería,
qué venturosa, espléndida, imposible,
prodigiosa blasfemia.

Terça-feira, Maio 12, 2009

Jean Renoir - The dangers of realism and perfectionism



Segunda-feira, Maio 11, 2009

Palavra (en)cantada

Crítica cinematográfica


Fui assistir o filme Palavra (en)cantada.
Gostei.
Gostei até o meio.
Não gostei, no final.
Depois que acabou, gosto cada vez menos...

Vejamos:
Primeiro, tal qual o script do cinema americano de ação, o filme nos delicia com uma dose altíssima de prazeres com Calcanhotto, Chico, Bethânia - o talento da família, sem dúvida - , falando desse tema que muito nos encanta e nos enchem de brasilidade, se podemos chamar assim algo como "orgulho de ser brasileiro".

Até aí, ficamos encantados com as especulações sobre as raízes poéticas dos autores do que se pode chamar hoje de "linha evolutiva da música popular brasileira", a sua história oficial, quero dizer. O morro idealizado inspirando, a herança dos poetas de escola primária em 1920, etc.. Em suma, fascinante. Mas não se avança , não se sai dos ambientes seguros da opiniões dos entrevistados.

Aí, vem os paulistas que descobriram o mundo através do Caetano, Wisnik e Tatit, e dão por certo coisas como "2 anos depois de "A banda", de Chico, "Alegria alegria", com seus versos livres e soltos... mudou tudo", como se desde o começo dos 60 a versão inglesa do rock'n roll não estavesse botando pra quebrar nos versos com Beatles, Rolling Stones e companhia.

Depois, o bobo do Antônio Cícero, moço claramente com problemas...
E aquele Caetano do festival dos anos 60, que desmistifica o de hoje.
E ele não teria nada a dizer sobre este tema???
Claro que sim, cadê?

Lirinha excepcional, os caras do rap levantam, Arnaldo, às vezes sim às vezes não...
Enfim, a dose foi alta de prazer no começo, baixa no final; as teses ou especulações não levam a nenhuma pesquisa nem interpretação; o filme dá como certo as teses daquela turma da USP sobre o tropicalismo, a despeito do livro Verdade Tropical, de autoria do próprio endeusado; e pra terminar, aquela pergunta completamente sem propósito sobre o fim da canção, o fim da música como conhecemos hoje, sei lá o que que a diretora quis perguntar... irritou muito.

Sábado, Maio 09, 2009

Hallelujah

Sexta-feira, Maio 08, 2009

Nada a declarar

Ultraje a Rigor

Terça-feira, Maio 05, 2009

A linguagem, as coisas e seus nomes

Eduardo Galeano

Na era vitoriana era proibido fazer menção às calças na presença de uma senhorita. Hoje em dia, não fica bem dizer certas coisas perante a opinião pública:

O capitalismo exibe o nome artístico de economia de mercado;
O imperialismo se chama globalização;
As vítimas do imperialismo se chamam países em via de desenvolvimento, que é como chamar de meninos aos anões;
O oportunismo se chama pragmatismo;
A traição se chama realismo;
Os pobres se chamam carentes, ou carenciados, ou pessoas de escassos recursos;
A expulsão dos meninos pobres do sistema educativo é conhecida pelo nome de deserção escolar;
O direito do patrão de despedir sem indenização nem explicação se chama flexibilização laboral;
A linguagem oficial reconhece os direitos das mulheres entre os direitos das minorias, como se a metade masculina da humanidade fosse a maioria;
Em lugar de ditadura militar, se diz processo.
As torturas são chamadas de constrangimentos ilegais ou também pressões físicas e psicológicas;
Quando os ladrões são de boa família, não são ladrões, são cleoptomaníacos;
O saque dos fundos públicos pelos políticos corruptos atende ao nome de enriquecimento ilícito;
Chamam-se acidentes os crimes cometidos pelos motoristas de automóveis;
Em vez de cego, se diz deficiente visual;
Um negro é um homem de cor;
Onde se diz longa e penosa enfermidade, deve-se ler câncer ou AIDS;
Mal súbito significa infarto;
Nunca se diz morte, mas desaparecimento físico;
Tampouco são mortos os seres humanos aniquilados nas operações militares: os mortos em batalha são baixas e os civis, que nada têm a ver com o peixe e sempre pagam o pato, danos colaterais;
Em 1995, quando das explosões nucleares da França no Pacífico Sul, o embaixador francês na Nova Zelândia declarou: “Não gosto da palavra bomba. Não são bombas. São artefatos que explodem”;
Chama-se Conviver alguns dos bandos assassinos da Colômbia, que agem sob proteção militar;
Dignidade era o nome de um dos campos de concentração da ditadura chilena e Liberdade o maior presídio da ditadura uruguaia;
Chama-se Paz e Justiça o grupo militar que, em 1997, matou pelas costas quarenta e cinco camponeses, quase todos mulheres e crianças, que rezavam numa igreja do povoado de Acteal, em Chiapas.

(Do livro De pernas pro ar, editora L&PM)

Sábado, Maio 02, 2009

Augusto Boal


"Vendo o mundo além das aparências, vemos opressores e oprimidos em todas as sociedades, etnias, géneros, classes e castas, vemos o mundo injusto e cruel. Temos a obrigação de inventar outro mundo porque sabemos que outro mundo é possível. Mas cabe a nós construí-lo com nossas mãos entrando em cena, no palco e na vida.
Actores somos todos nós, e cidadão não é aquele que vive em sociedade: é aquele que a transforma!"

Barack Obama não existiria não fosse o Brasil

Por Paulo Betti

Amigos, essa história é verdadeira e demonstra o poder do cinema e da arte.

Não é por acaso que Barack Obama já declarou diversas vezes ser brasileiro. Claro que é uma maneira de falar, ele quer dizer que se parece com os brasileiros, mas também quer dizer mais do que isso.

Vamos aos fatos.
A mãe de Barack, Ann Dunham, da cidade de Wichita , estado do Kansas, uma jovem americana, tinha uns 17 anos quando conheceu o estudante de economia, muçulmano do Quênia, o africano Barack Obama. Isso aconteceu em Honolulu, Havaí, onde em 4 de agosto de 1961, nasceu Barack Hussein Obama Jr. o primeiro candidato negro a presidência dos Estados Unidos.

Muito fácil de conferir, é só pegar o computador, entrar no “Google” que essas informações aparecerão.
Mas, o que não está lá é que a mãe de Barack, a moça branca do Kansas, poucos dias antes de conhecer o negro queniano, seu pai, assistiu o filme
o filme “Orfeu Negro”, do diretor francês Marcel Camus.A película foi grande sucesso popular nos EUA, chegou a ganhar o Oscar de melhor filme estrangeiro de 1960.Ganhou também a Palma de Ouro em Cannes em 1959 e o Globo de Ouro de 1960.

Confiram as datas e vejam como tudo faz sentido.

A jovem Ann adorou o filme. O universo mítico criado pelos versos de Vinicius de Moraes na peça “Orfeu da Conceição”, que serviram de base para o filme, encantaram a moça.
Certamente o ator que faz o papel de Orfeu também fez sua parte. Afinal, Breno Mello era muito bonito. E apesar de não ser propriamente um ator - era um jogador de futebol do Fluminense -desempenhou muito bem sua função. Breno morreu aos 74 anos, em julho passado, em Porto Alegre, onde vivia com muitas dificuldades financeiras trabalhando como sapateiro.

O filme tem muitas qualidades, do roteiro ao cenário, o Rio de Janeiro onde as favelas não eram violentas como são hoje, às músicas lindas de Tom Jobim. A favela parece um lugar idílico. Os interiores das casas são simples mas bonitos. A pobreza não está em primeiro plano. A canção tema é a belíssima “Manhã de Carnaval” cantada pelo grande Agostinho dos Santos com sua voz de veludo.

Todos as datas nos levam crer que a moça americana, branca, estava no clima certo, preparada pelo filme para conhecer aquele africano, que viria a ser o pai do possível futuro primeiro homem negro presidente da mais poderosa nação do mundo.
Ela deve ter visto o filme depois da premiação do Oscar.

O encanto do cinema influenciou a jovem. O resto ficou para o encanto do pai de Barack. Ouçam as músicas e vejam o filme.Vocês vão chegar à mesma conclusão que eu. A contribuição brasileira foi grande. Se não houvesse o samba, o carnaval, o Brasil, não haveria Barack Obama.


Terça-feira, Abril 28, 2009

I believe in a better way


I'm a living sunset
Lightning in my bones
Push me to the edge
But my will is stone

I believe there's a better way

Fools will be fools
And wise will be wise
But i will look this world
Straight in the eyes

I believe in a better way

What good is a man
Who won't take a stand
What good is a cynic
With no better plan

I believe there's a better way


Reality is sharp
It cuts at me like a knife
Everyone i know
Is in the fight of their life

I believe in a better way

Take your face out of your hands
And clear your eyes
You have a right to your dreams
And don't be denied

I believe in a better way


(Ben Harper)

Sexta-feira, Abril 24, 2009

Fernando Sabino em 2 tempos


De tudo ficaram três coisas...
A certeza de que estamos começando...
A certeza de que é preciso continuar...
A certeza de que podemos ser interrompidos antes de terminar...
Façamos da interrupção um caminho novo...
Da queda, um passo de dança...
Do medo, uma escada...
Do sonho, uma ponte...
Da procura, um encontro!


O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem.
Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.

Domingo, Abril 19, 2009

Todo dia era dia de índio

Domingo, Abril 05, 2009

Porque é preciso resistir

Domingo, Março 29, 2009

Geraldão, um brinde à Vida

Por Bob Fernandes

Geraldão na campanha de Waldir Pires, em 1986: o riso diante da vida

Geraldão na campanha de Waldir Pires, em 1986: o riso diante da vida


Amanhã, sábado 28, família e amigos se reúnem numa praça no Rio Vermelho, em Salvador, para celebrar a memória de Geraldo Walter de Souza Filho, o Geraldão. Aos 41 anos, em 1998, o publicitário Geraldo se foi. Muito se disse e se dirá daquele que é tido e havido como o grande nome do marketing político no Brasil. Do meu amigo que partiu tão cedo, no 14 de Março, data em que nasceu meu pai, Henrique, pouco direi do talento e do sucesso profissional; muitos dos que amanhã irão festejar sua história na praça Geraldo Walter estão bem mais capacitados para recordar esse belo caminho da sua vida.

(Para saber mais sobre sua trajetória profissional, ler neste link).

Digo, direi aqui, do amigo. Do amigo com um carisma, com uma capacidade de liderança pessoal e profissional rara. Tanta que despertou, desperta até hoje, uma onda de ciúme entre quem com ele conviveu. Ciúme não apenas entre elas. Também eles se batem para saber, dizer, provar quem foi mais seu amigo, de quem ele foi mais amigo. Não me atrevo a tanto. Apenas recordo e festejo o tempo que viveu um queridíssimo amigo, daqueles que marcam nossas vidas com seu brilho.

Geraldo Walter de Souza Filho. Geraldão. O Big. O Biggest. Muitas as formas superlativas para chamá-lo carinhosamente. Antes dele conheci Guta, a mana. Nas manhãs e tardes, verões e verões do Porto da Barra, com Nem, Isinha, Kiko, com Clarinha…

Com aquele tamanhão todo não havia como não percebê-lo nas ruas e noites de Salvador, mas o primeiro contato objetivo foi em Jequié. Começo da campanha de Waldir Pires para o governo da Bahia, a guerra nada santa contra ACM e sua tropa, idos de 1986.

Waldir caminha em meio ao povo, ao lado de Jutahy Magalhães, o pai. Ao lado deles, meio corpo acima da multidão, Geraldão. Numa salinha apertada militantes históricos fustigam Jutahy, aliado de Antonio Carlos Magalhães num outro tempo. Jutahy, sentado na beira de uma mesa, responde com toda sua bonomia:
- Eu sou Paulo na estrada de Damasco…

A gargalhada de Geraldão sacode a sala.

Recém-desembarcado em Salvador, vindo de Brasília para testemunhar e escrever para o Jornal do Brasil sobre a nada santa guerra, percebo ali quem é o marqueteiro - como chamávamos - de Waldir, quem eram os caras que enfrentariam Duda Mendonça na campanha de ACM/Josaphat Marinho. Geraldão e a infantaria da D&E, outros queridos amigos e amigas. Quatro meses inesquecíveis.

Bahia adentro, a espera do Messias. Comícios às três, quatro, cinco horas da manhã, de lugarejo em lugarejo a multidão à espera de Waldir, o locutor a incensar ainda mais…:
-… Ele vai chegar…Ele está chegando…Ele…

No QG da campanha testemunhei viradas e virotes, o companheirismo mas também broncas monumentais, o talento e bom humor na construção de cada peça, cada programa eleitoral. Ali, ficamos amigos. Eu, até o final, um dos poucos sem relação também de trabalho, sem laços também profissionais.

Salvador, Brasília, São Paulo, Luanda, Washington… Sempre muitíssimo bem informado, sempre querendo saber mais. E muito bom humor. E muito rolo no departamento que comanda a vida.

Uma tarde, muitas confidências depois de arrastado almoço no Massimo, em São Paulo, provoquei:
- …mas Big, não a conheço direito mas essa mulher é dureza, vai querer dar um nó em você, a história dela já é a própria encrenca…

A resposta, confesso, me surpreendeu:
- Por isso mesmo…assim é que é bom…

Brasília. Gol de Maurício, ponta direita. Contra o Flamengo, no Maracanã, Botafogo campeão depois de 21 anos. Na alegria alvinegra quase detonamos um quarto do Hotel Nacional, onde gostava de se hospedar.

Campanha de Waldir e Ulysses Guimarães…”Bote fé no velhinho, o velhinho é demais…” Jornada dolorosa para o velho líder, mas divertidíssima pelos bastidores, pela demorada permanência do amigo em Brasília.

Eleição em Angola, por onde passei a caminho das guerras em Ruanda e Somália. O horror, apesar do armistício MPLA-UNITA, mas também a farra nos bastidores, a brasileirada, a baianada em Luanda em meio à paz meia boca.

No comando executivo da campanha, outra vez Geraldão, o Big. Ali, dele ouvi queixas sobre o ego, a vaidade alheia, e histórias deliciosas sobre os rolos de sempre no departamento que comanda, deveria comandar, a vida.

Num cantinho no QG da campanha - um universo de Marlboro - se davam as tentativas e tratativas, múltiplas as tentativas em razão da enorme desproporção entre a testosterona e a progesterona naquela porção verde-amarela de Luanda. Anos depois ele ainda gargalharia com o batismo dado àquele cantinho do QG:
- Love Corner.

Finda a campanha, reiniciada a guerra, o recebemos em Washington. Geraldão, com a franqueza habitual, disse a mim e a Ana:
- Dou Washington por vista. Vamos sair de carro, olhar as ruas, mas não quero visitar nada, ver museu algum, monumento nenhum. Quero ficar em casa, sair pra comer, dormir, e conversar.

Assim foi feito.

De volta ao Brasil, ele em São Paulo, em sociedade com Nizan. Campanha de FHC. O talento, único, de sempre, a tropa de sempre, nossas conversas, jantares e almoços, como sempre. Os rolos, como sempre.

Fim do namoro com uma prima minha em meio ao começo de namoro com outra prima. Cutuquei:
- Rapaz, para de rondar minha família…

Até hoje ecoa a gargalhada.

Outra eleição. Em São Paulo. Nessa, profunda irritação com o candidato:
- Nesse cara, eu que faço a campanha não voto, o motorista não vota, a secretária não vota…

Sem bom humor não há quem agüente.

De repente, numa tarde-noite, um telefonema:
- Preciso te ver…é urgente, urgente mesmo…

Conversa lá em casa. O que ele queria, o que sentia, o quê e como deveria fazer. Como seria o futuro? Ele ficara sabendo poucas horas antes. Ia ser pai.

O Destino. Uma decisão dos deuses. Ele se foi, mas aí está nosso amado e querido Felipe. Seu filho com Cila.

Numa noite, o cansaço extremo num jantar. Quase dormiu à mesa, Ana estranhou. Pouco dias depois, num almoço, o comentário. Sem preocupação alguma:
- Vou fazer um exame amanhã, acho que é alguma coisa de divertículo, alguma bobagem…

Não era uma bobagem. Me contou por telefone.

Na última vez que nos vimos, fez questão de dar uma carona. Seu amigo Ferreira na direção. Já magro, sereno, mas nos olhos também a vontade de não ir, de quem sabe, porque soube viver, que a vida é bela.

Na janela do carro, na Avenida Brasil, o adeus.

Quarta-feira, Março 25, 2009

Terça-feira, Março 24, 2009

Boa praça



"Fazer, e ao fazer, fazer-se, e não ser nada além do que se faz." Sartre

Do It

Lenine/Ivan Santos

Tá cansada, senta
Se acredita, tenta
Se tá frio, esquenta
Se tá fora, entra
Se pediu, agüenta
Se pediu, agüenta...

Se sujou, cai fora
Se dá pé, namora
Tá doendo, chora
Tá caindo, escora
Não tá bom, melhora
Não tá bom, melhora...

Se aperta, grite
Se tá chato, agite
Se não tem, credite
Se foi falta, apite
Se não é, imite...

Se é do mato, amanse
Trabalhou, descanse
Se tem festa, dance
Se tá longe, alcance
Use sua chance
Use sua chance...

Se tá puto, quebre
Ta feliz, requebre
Se venceu, celebre
Se tá velho, alquebre
Corra atrás da lebre
Corra atrás da lebre...

Se perdeu, procure
Se é seu, segure
Se tá mal, se cure
Se é verdade, jure
Quer saber, apure
Quer saber, apure...

Se sobrou, congele
Se não vai, cancele
Se é inocente, apele
Escravo, se rebele
Nunca se atropele...

Se escreveu, remeta
Engrossou, se meta
E quer dever, prometa
Prá moldar, derreta
Não se submeta
Não se submeta...

Sexta-feira, Fevereiro 13, 2009

Ask President Obama to make good on his promise of hope.


Ask President Obama to make good on his promise of hope.

István Mészàros, um dos principais pensadores marxistas da atualidade

| 07/02/2009 | Copyleft

"Solução neokeynesiana e novo Bretton Woods são fantasias"

Em entrevista à revista inglesa Socialist Review, István Mészàros, um dos principais pensadores marxistas da atualidade, analisa a crise econômica mundial e critica aqueles que apostam que ela será resolvida trazendo de volta as idéias keynesianas e a regulação. "É uma fantasia que uma solução neo-keynesiana e um novo Bretton Woods resolveriam qualquer dos problemas dos dias atuais", defende Mészàros. Para ele, estamos vivendo a maior crise na história humana, em todos os sentidos.

Em 1971 István Mészàros ganhou o Prêmio Deutscher pelo seu livro A Teoria da Alienação em Marx e desde então tem escrito sobre o marxismo. Em janeiro deste ano, ele conversou com Judith Orr e Patrick Ward, da Socialist Review, sobre a atual crise econômica.

Socialist Review: A classe dominante sempre é surpreendida por crises econômicas e fala delas como fossem aberrações. Por que você acha que as crises são inerentes ao capitalismo?

István Mészàros – Eu li recentemente Edmund Phelps, que ganhou o Prêmio Nobel de Economia, em 2006. Phelps é um tipo de neokeynesiano. Ele estava, é claro, glorificando o capitalismo e apresentando os problemas atuais como apenas um contratempo, dizendo que “tudo o que devemos fazer é trazer de volta as idéias keynesianas e a regulação.”

John Maynard Keynes acreditava que o capitalismo era ideal, mas queria regulação. Phelps estava reproduzindo a idéia grotesca de que o sistema é como um compositor musical. Ele pode ter alguns dias de folga nos quais não pode produzir tão bem, mas se você olhar no todo verá que ele é maravilhoso! Pense apenas em Mozart – ele deve ter tido o velho e esquisito dia ruim. Assim é o capitalismo em crise, como dias ruins de Mozart. Quem acredita nisso deveria ter sua cabeça examinada. Mas, no lugar de ter sua cabeça examinada, ele ganhou um prêmio.

Se nossos adversários têm esse nível de pensamento – o qual tem sido demonstrado, agora, ao longo de um período de 50 anos, não é apenas um escorregão acidental de economista vencedor de prêmio – poderíamos dizer, “alegre-se, esse é o nível baixo do nosso adversário”. Mas com esse tipo de concepção você termina no desastre de que temos experiência todos os dias. Nós afundamos numa dívida astronômica. As dívidas reais neste país (Inglaterra) devem ser contadas em trilhões.

Mas o ponto importante é que eles vêm praticando orgias financeiras como resultado de uma crise estrutural do sistema produtivo. Não é um acidente que a moeda tenha inundado de modo tão adventista o setor financeiro. A acumulação de capital não poderia funcionar adequadamente no âmbito da economia produtiva.

Agora estamos falando da crise estrutural do sistema. Ela se extende por toda parte e viola nossa relação com a natureza, minando as condições fundamentais da sobrevivência humana. Por exemplo, de tempos em tempos anunciam algumas metas para diminuir a poluição. Temos até um ministro da energia e da mudança climática, que na verdade é um ministro do lero lero, porque nada faz além de anunciar uma meta. Só que essa meta nunca é sequer aproximada, quanto mais atingida. Isso é uma parte integral da crise estrutural do sistema e só soluções estruturais podem nos tirar desta situação terrível.

SR - Você descreveu os EUA como levando a cabo um imperialismo de cartão de crédito. O que você quer dizer com isso?

IM – Eu lembro do senador norte-americano George McGovern na guerra do Vietnã. Ele disse que os EUA tinham fugido da guerra do Vietnã num cartão de crédito. O recente endividamento dos EUA está azedando agora. Esse tipo de economia só avança enquanto o resto do mundo pode sustentar sua dívida.

Os EUA estão numa posição única porque tem sido o país dominante desde o acordo de Bretton Woods. É uma fantasia que uma solução neokeynesiana e um novo Bretton Woods resolveriam qualquer dos problemas dos dias atuais. A dominação dos EUA que Bretton Woods formalizou imediatamente depois da Segunda Guerra era realista economicamente. A economia norte-americana estava numa posição muito mais poderosa do que qualquer outra economia do mundo. Ela estabeleceu todas as instituições econômicas internacionais vitais com base no privilégio dos EUA. O privilégio do dólar, o privilégio aproveitado pelo Fundo Monetário Internacional, pelas organizações comerciais, pelo Banco Mundial, todos completamente sob a dominação dos EUA, e ainda permanece assim hoje.

Não se pode fazer de conta que isso não existe. Você não pode fantasiar reformas e regulações leves aqui e acolá. Imaginar que Barack Obama vai abandonar a posição dominante de que os EUA dispõe, nesse sentido – apoiada pela dominação militar – é um erro.

SRKarl Marx chamou a classe dominante de “bando de irmãos guerreiros”. Você acha que a classe dominante vai trabalhar junta, internacionalmente, para encontrar uma solução?

IM – No passado o imperialismo envolveu muitos atores dominantes que asseguraram seus interesses mesmo às custas de duas horrendas guerras mundiais no século XX. Guerras parciais, não importa o quão horrendas são, não podem ser comparadas ao realinhamento do poder e da economia que seria produzido por uma nova guerra mundial.

Mas imaginar uma nova guerra mundial é impossível. É claro que ainda há alguns lunáticos no campo miliar que não negariam essa possibilidade. Mas isso significaria a destruição total da humanidade.

Temos de pensar as implicações disso para o sistema capitalista. Era uma lei fundamental do sistema que se uma força não pudesse ser assegurada pela dominação econômica você recorreria à guerra.

O imperialismo global hegemônico tem sido conquistado e operado com bastante sucesso desde a Segunda Guerra Mundial. Mas esse tipo de sistema é permanente? É concebível que nele não surjam contradições, no futuro?

Algumas pistas vem sendo dadas pela China de que esse tipo de dominação econômica não pode avançar indefinidamente. A China não será capaz de seguir financiando isso. As implicações e consequencias para a China já são bastante significantes. Deng Xiaoping uma vez disse que a cor do gato – seja ele capitalista ou socialista – não importa, desde que ele pegue o rato. Mas e se, no lugar da caçada feliz do rato se termine numa horrenda infestação de ratos de desemprego massivo? Isso está acontecendo agora na China.

Essas coisas são inerentes nas contradições e antagonismos do sistema capitalista. Portanto, temos de pensar em resolvê-los de uma maneira radicalmente diferente, e a única maneira é uma genuína transformação socialista do sistema.

SR - Não há em parte alguma do mundo econômico desacoplamento dessa situação?

IM- Impossível! A globalização é uma condição necessária do desenvolvimento humano. Desde que o sistema capitalista se tornou claramente visível Marx teorizou isso. Martin Wolf, do Financial Times tem reclamado de que há muitos pequenos, insignificantes estados que causam problemas. Ele argumenta que seria preciso uma “integração jurisdicional”, em outras palavras, uma completa integração imperialista – um conceito fantasia. Trata-se de uma expressão das contradições e antagonismos insolúveis da globalização capitalista. A globalização é uma necessidade, mas a forma em que é exequível e sustentável é a de uma globalização socialista, com base nos princípios socialistas da igualdade substantiva.

Ainda que não haja desacoplamento na história do mundo, é concebível que isso não signifique que em toda fase, em todas as partes do mundo, haja uniformidade. Muitas coisas diferentes estão se desenvolvendo na América Latina, em comparação com a Europa, para não mencionar o que eu já assinalei sobre a China, o Sudeste Asiático e o Japão, que está mergulhado em problemas mais profundos.

Vamos pensar no que aconteceu há pouco tempo. Quantos milagres tivemos no período do pós-guerra? O Milagre Alemão, o Milagre Brasileiro, o Milagre Japonês, o Milagre dos cinco Tigres Asiáticos? Engraçado que todos esses milagres tenham se convertido na mais terrível realidade prosaica. O denominador comum de todas essas realidades é o endividamento desastroso e a fraude.

Um dirigente de um fundo hedge foi supostamente envolvido numa farsa envolvendo 50 bilhões de dólares. A General Motors e outras estavam pedindo ao governo norte-americano somente 14 bilhões de dólares. Que modesto! Eles deveriam ter dado 100 bilhões. Se um fundo hedge capitalista pode organizar uma suposta fraude de 50 bilhões, eles devem chegar a todos os fundos possíveis.

Um sistema que opera nesse modo moralmente podre não pode provavelmente sobreviver, porque é incontrolável. As pessoas chegam a admitir que não sabem como isso funciona. A solução não é desesperar-se, mas controlá-lo em nome da responsabilidade social e de uma radical transformação da sociedade.

SRA tendência inerente do capitalismo é exigir dos trabalhadores o máximo possível, e isso é claramente o que os governos estão tentando fazer na Grã Bretanha e nos EUA.

IM – A única coisa que eles podem fazer é advogar pelos salários dos trabalhadores. A razão principal pela qual o Senado recusou a injetar 14 bilhões de dólares nas três maiores companhias de automóveis é que não puderam obter acordo sobre a drástica redução dos salários. Pense no efeito disso e nos tipos de obrigações que esses trabalhadores têm – por exemplo, repagando pesadas hipotecas. Pedir-lhes que simplesmente passem a receber metade de seus salários geraria outros tipos de problemas na economia – de novo, a contradição.

Capital e contradições são inseparáveis. Temos de ir além das manifestações superficiais dessas contradições e de suas raízes. Você consegue manipulá-las aqui e ali, mas elas voltarão com uma vingança. Contradições não podem ser jogadas para debaixo do tapete indefinidamente, porque o carpete, agora, está se tornando uma montanha.

SRVocê estudou com Georg Lukács, um marxista que retomou o período da Revolução Russa e foi além.

IM – Eu trabalhei com Lukács sete anos, antes de deixar a Hungria em 1956 e nos tornamos amigos muito próximos até a sua morte, em 1971. Sempre nos olhamos nos olhos – é por isso que eu queria estudar com ele. Então aconteceu que quando eu cheguei para estudar com ele, ele estava sendo feroz e abertamente atacado, em público. Eu não aguentei aquilo e o defendi, o que levou a todos os tipos de complicações. Logo que deixei a Hungria, fui designado sucessor, na universidade, ensinando estética. A razão pela qual deixei o país foi precisamente porque estava convencido de que o que estava acontecendo era uma variedade de problemas muito fundamentais que o sistema não poderia resolver.

Eu tentei formular e examinar esses problemas em meus livros, desde então. Em particular em "A Teoria Alienação em Marx" e "Para Além do Capital" (*). Lukács costumava dizer, com bastante razão, que sem estratégia não se pode ter tática. Sem uma perspectiva estratégica desses problemas você não pode ter soluções do dia-a-dia. Então eu tentei analisar esses problemas consistentemente, porque eles não podem ser simplesmente tratados no nível de um artigo que apenas relata o que está acontecendo hoje, ainda que haja uma grande tentação de fazê-lo. No lugar disso, deve ser apresentada uma perspectiva histórica. Eu venho publicando desde que meu primeiro ensaio justamente substancial foi publicado, em 1950, num periódico literário na Hungria e eu tenho trabalhado tanto como posso, desde então. À medida de nossos modestos meios, damos nossa contribuição em direção da mudança. Isso é o que tenho tentado fazer ao longo de toda minha vida.

SR- O que você pensa das possibilidades de mudança neste momento?

IM – Os socialistas são os últimos a minimizar as dificuldades da solução. Os apologistas do capital, sejam eles neokeynesianos ou o que quer que sejam, podem produzir todos os tipos de soluções simplistas. Eu não penso que podemos considerar a crise atual simplesmente da maneira que o fizemos no passado. A crise atual é profunda. O diretor substituto do Banco da Inglaterra adimitiu que esta é a maior crise econômica na história da humanidade. Eu apenas acrescentaria que esta não é apenas a maior crise na história humana, mas a maior crise em todos os sentidos. Crises econômicas não podem ser separadas do resto do sistema.

A fraude e a dominação do capital e a exploração da classe trabalhadora não podem continuar para sempre. Os produtores não podem ser postos constantemente e para sempre sob controle. Marx argumenta que os capitalistas são simplesmente personificações do capital. Não são agentes livres; estão executando imperativos do sistema. Então, o problema da humanidade não é simplesmente vencer um bando de capitalistas. Pôr simplesmente um tipo de personificação do capital no lugar do outro levaria ao mesmo desastre e cedo ou tarde terminaríamos com a restauração do capitalismo.

Os problemas que a sociedade está enfrentando não surgiram apenas nos últimos anos. Cedo ou tarde isso tem de ser resolvido e não, como o vencedor do Prêmio Nobel deve fantasiar, no interior da estrutura do sistema. A única solução possível é encontrar a reprodução social com base no controle dos produtores. Essa sempre foi a idéia do socialismo.

Nós alcançamos os limites históricos da capacidade do capital controlar a sociedade. Eu não quero dizer apenas bancos e instituições financeiras, ainda que eles não possam controlá-las, mas o resto. Quando as coisas dão errado ninguém é responsável. De tempos em tempos os políticos dizem: “Eu aceito total responsabilidade”, e o que acontece? Eles são glorificados. A única alternativa exequível é a classe trabalhadora, que é a produtora de tudo o que é necessário em nossa vida. Por que eles não deveriam controlar o que produzem? Eu sempre enfatizei em todos os livros que dizer não é relativamente fácil, mas temos de encontrar a dimensão positiva.

István Mészàros é o autor do recentemente publicado "The challenge and burden of Historical Time", "Os Desafios e o Fardo do Tempo Histórico", publicado no Brasil pela Boitempo Editorial, 2007.

(*) Ambos publicados no Brasil pela Boitempo Editorial.

Artigo originalmente publicado na Socialist Review

Tradução: Katarina Peixoto

Sábado, Fevereiro 07, 2009

“La gran odisea de nuestro tiempo, este viaje con más náufragos que navegantes”



Nas palavras de Eduardo Galeano, é o que o trabalho de Sebastião Salgado, que completou 65 anos, nos permite ver.