Sexta-feira, Julho 03, 2009
Quarta-feira, Julho 01, 2009
Terça-feira, Junho 30, 2009
Sábado, Junho 27, 2009
Morphine
He got flat baby
Kick in the back baby
A heart attack baby
I need your body
A hot kiss honey
He's just a bitch baby
You make me sick baby
So unrelying
I'm such a swine baby
All down the line daddy
I hate your kind baby
So unreliable
A hot buzz baby
He's one of us baby
Another drug baby
You so desire
Trust in me
Trust in me
Put all your trust in me
You're doin' morphine
Hoo!
They got place baby
Kicked in the face baby
You hate your race baby
You're just a liar
Your every lick baby
Your dog's a bitch baby
You make me sick baby
You soul survivor
She never cut from me
She never cut baby
I had to work baby
You just a rival
Always to please daddy
Right up and leave daddy
You're thorwing shame daddy
So undesirable
Trust in me
Just in me
Put all your trsut in me
You're doin' morphine
Go'on babe
Relax
This won't hurt you
Before I put it in
Close your eyes and count to ten
Don't cry
I won't convert you
There's no need to dismay
Close your eyes and drift away
Demerol
Demerol
Oh God he's taking demerol
Demerol
Demerol
Oh God he's taking demerol
He's tried
Hard to convince her
To be over what he had
Today he wants it twice as bad
Don't cry
I won't resent you
Yesterday you had his trust
Today he's taking twice as much
Demerol
Demerol
Oh God he's taking demerol
Hee-hee-hee
Demerol
Demerol
Oh my Oh God it's Demerol
Hee
Oooh
Oh!
He got shit baby
Your dog's a bitch baby
You make me sick baby
You are a liar
Is truth a game daddy
To win the fame baby
It's all the same baby
You're so reliable
Trust in me
Trust in me
Put all your trust in me
She's doin' morphine
Hoo!
You just sit around just talkin' nothing
You're takin' morphine
Hoo!
Go'on baby
You just sit around just talking about it
You're takin' morphine
Hoo-hoo!
Just sit around just talking nothing about it
You're takin' morphine
You just sit around just talking about it
You're taking morphine
You just sit around just talkin' nothin'
And takin' morphine
Hoo-hoo
I'm going down baby
You're talkin' Morphine
Go'on baby!
Hoo!
Hoo!
Morphine!
Do it!
Hoo!
He's takin' morphine
Morphine!
Morphine!
Sexta-feira, Junho 26, 2009
Sexta-feira, Junho 12, 2009
Chris Marker
Quarta-feira, Junho 03, 2009
As cotas desmentiram as urucubacas
Os negros desorganizariam as universidades, como a Abolição destruiria a economia brasileira.
QUEM ACOMPANHASSE os debates na Câmara dos Deputados em 1884 poderia ouvir a leitura de uma moção de fazendeiros do Rio de Janeiro:
"Ninguém no Brasil sustenta a escravidão pela escravidão, mas não há um só brasileiro que não se oponha aos perigos da desorganização do atual sistema de trabalho."
Livres os negros, as cidades seriam invadidas por "turbas ignaras", "gente refratária ao trabalho e ávida de ociosidade". A produção seria destruída e a segurança das famílias estaria ameaçada.
Veio a Abolição, o Apocalipse ficou para depois e o Brasil melhorou (ou será que alguém duvida?).
Passados dez anos do início do debate em torno das ações afirmativas e do recurso às cotas para facilitar o acesso dos negros às universidades públicas brasileiras, felizmente é possível conferir a consistência dos argumentos apresentados contra essa iniciativa.
De saída, veio a advertência de que as cotas exacerbariam a questão racial. Essa ameaça vai completar 18 anos e não se registraram casos significativos de exacerbação. Há cerca de 500 mandados de segurança no Judiciário, mas isso nada mais é que a livre disputa pelo direito.
Num curso paralelo veio a mandinga do não-vai-pegar. Hoje há em torno de 60 universidades públicas com sistemas de acesso orientados por cotas e nos últimos cinco anos já se diplomaram cerca de 10 mil jovens beneficiados pela iniciativa.
Havia outro argumento: sem preparo e sem recursos para se manter, os negros entrariam nas universidades, não conseguiriam acompanhar as aulas, desorganizariam os cursos e acabariam deixando as escolas.
Entre 2003 e 2007 a evasão entre os cotistas na Universidade Estadual do Rio de Janeiro foi de 13%. No universo dos não cotistas, esse índice foi de 17%.
Quanto ao aproveitamento, na Uerj, os estudantes que entraram pelas cotas em 2003 conseguiram um desempenho pouco superior aos demais. Na Federal da Bahia, em 2005, os cotistas conseguiram rendimento igual ou melhor que os não cotistas em 32 dos 57 cursos. Em 11 dos 18 cursos de maior concorrência, os cotistas desempenharam-se melhor em 61 % das áreas.
De todas as mandingas lançadas contra as cotas, a mais cruel foi a que levantou o perigo da discriminação, pelos colegas, contra os cotistas.
Caso de pura transferência de preconceito. Não há notícia de tensões nos campus. Mesmo assim, seria ingenuidade acreditar que os negros não receberam olhares atravessados. Tudo bem, mas entraram para as universidades sustentadas pelo dinheiro público.
Tanto Michelle Obama quanto Sonia Sotomayor, uma filha de imigrantes portorriquenhos nomeada para a Suprema Corte, lembram até hoje dos olhares atravessados que receberam ao entrar na Universidade de Princeton. Michelle tratou do assunto em seu trabalho de conclusão do curso. Ela não conseguiu a matrícula por conta de cotas, mas pela prática de ações afirmativas, iniciada em 1964. Logo na universidade onde, em 1939, Radcliffe Heermance, seu poderoso diretor de admissões de 1922 a 1950, disse a um estudante negro admitido acidentalmente que aquela escola não era lugar para ele, pois "um estudante de cor será mais feliz num ambiente com outros de sua raça". Na carta em que escreveu isso, o doutor explicou que nem ele nem a universidade eram racistas.
Terça-feira, Junho 02, 2009
Eduardo Galeano
Quarta-feira, Maio 27, 2009
Sexta-feira, Maio 22, 2009
PT amplia liderança partidária e Dilma já ultrapassa 20% de intenção de voto
Pesquisa do instituto Vox Populi realizada entre os dias 2 e 7 de maio mostra que a ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, já tem entre 19% e 25% de intenção de votos para a Presidência da República, caso seja candidata em 2010.
O levantamento, que ouviu duas mil pessoas em todas as regiões do país, mostra ainda que o PT continua sendo o partido de maior preferência da população. O índice, que era de 25% em maio de 2008, saltou para 29% agora. Em seguida, vêm PMDB, com 8%; e PSDB, com 7%. O DEM, ex-PFL, tem apenas 1%.
Os números mostram que 59% dos entrevistados têm muita ou alguma simpatia pelo PT. Para 70%, o PT ajuda o Brasil a crescer.
Encomendada pelo PT, a pesquisa mostra também um quadro de ampla aprovação popular ao governo Lula. A avaliação positiva do presidente (considerando os índices de ótimo, bom e regular positivo) chega a 87%. Para 60%, o Brasil melhorou nos últimos dois anos, enquanto 67% se dizem satisfeitos ou muito satisfeitos com o país.
Veja abaixo os principais números da pesquisa, que tem margem de erro de 2,2 pontos percentuais:
67% estão satisfeitos ou muito satisfeitos, igual a maio de 2008
27% estão insatisfeitos; 5% muito insatisfeitos
Para 60%, Brasil melhorou nos últimos anos
Para 14%, piorou
Para 56%, vai melhorar nos próximos 2 anos
Para 13%, vai piorar
PARTIDOS
Preferência
PT tem 29% da preferência partidária; alta de 4 pontos em relação a 2008 e de 10 pontos sobre 2004.
PMDB tem 8%; PSDB tem 7%; e DEM tem 1%
Eleitores sem preferência: 49%, queda de 15 pontos em relação a 2004 (64%)
PT tem 8% de rejeição, estável em relação a 2008
PMDB tem 5%; PSDB tem 5%; e DEM tem 3%
67% não rejeitam nenhum partido, queda de 2 pontos em relação a 2008 (69%)
Primeiro partido que vem à cabeça: PT, 35%; PMDB, 24%; PSDB, 14%.
59% têm muita ou alguma simpatia pelo PT, aumento de 12 pontos sobre 2008
81% acham o PT forte ou muito forte, aumento de 5 pontos em relação a 2008
65% consideram positiva a atuação do PT na política, aumento de 5 pontos sobre 2008
Para 70%, o PT ajuda o Brasil a crescer, aumento de 5 pontos sobre 2008
É dinâmico e trabalhador: 75%, contra 69% em 2008
É moderno, com idéias novas: 75%, contra 69% em 2008
Deve ter candidato próprio à Presidência: 68%, contra 67% em 2008
GOVERNO LULA
Desempenho do presidente
Avaliação positiva: 87% (ótimo, bom e regular positivo), contra 84% em 2008
Avaliação negativa: 13% (ruim, péssimo e regular negativo), contra 15% em 2008
Programas sociais, 36%; política econômica, 19%; Educação, 8%; Habitação, 7%
ELEIÇÕES
Partido do próximo presidente
Para 34%, próximo presidente deve ser do PT
Para 73%, próximo presidente deve continuar com todas ou com a maioria das atuais políticas, contra 68% em 2008.
23% votam com certeza no candidato apoiado por Lula
41% pode votar, dependendo do candidato
10% não votam
22% não levam isso em consideração
INTENÇÃO DE VOTO PARA PRESIDENTE, 1º turno, estimulada
Cenário 1
Ciro Gomes (PSB), Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Heloísa Helena (Psol)
Ciro, 23%; Dilma, 21%; Aécio, 18%; Heloísa, 10%; Branco/Nulo/NS, 18%
Cenário 2
Ciro Gomes (PSB), Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Heloísa Helena (Psol)
Serra, 36%; Dilma, 19%; Ciro, 17%; Heloísa, 8%; Branco/Nulo/NS, 19%
Comparativo: Em relação a maio de 2008, Dilma subiu 10 pontos; Serra caiu 10 pontos; e Ciro caiu 6 pontos.
Cenário 3
Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Heloísa Helena (Psol)
Dilma, 25%; Aécio, 20%; Heloísa, 16%; Brancos/Nulos/NS, 40%
Cenário 4
Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Heloísa Helena (Psol)
Serra, 43%; Dilma, 22%; Heloísa, 11%; Branco/Nulo/NS, 24%
Cenário 5
Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB)
Serra, 48%; Dilma, 25%; Branco/Nulo/NS, 37%
Heloísa, 17%; Aécio, 13%; Serra, 12%; Dilma, 11%; Ciro, 9%.
Terça-feira, Maio 19, 2009
Digamos
1.
Ayer fue yesterday
para buenos colonos
mas por fortuna nuestro
mañana no es tomorrow
2.
Tengo un mañana que es mio
y un mañana que es de todos
el mio acaba mañana
pero sobrevive el otro
Segunda-feira, Maio 18, 2009
Síndrome
Todavía tengo casi todos mis dientes
casi todos mis cabellos y poquísimas canas
puedo hacer y deshacer el amor
trepar una escalera de dos en dos
y correr cuarenta metros detrás del ómnibus
o sea que no debería sentirme viejo
pero el grave problema es que antes
no me fijaba en estos detalles.
Viceversa
Tengo miedo de verte
necesidad de verte
esperanza de verte
desazones de verte.
Tengo ganas de hallarte
preocupación de hallarte
certidumbre de hallarte
pobres dudas de hallarte.
Tengo urgencia de oírte
alegría de oírte
buena suerte de oírte
y temores de oírte.
o sea,
resumiendo
estoy jodido
y radiante
quizá más lo primero
que lo segundo
y también
viceversa.
Si Dios fuera una mujer
-Juan Gelman
¿Y si Dios fuera mujer?
pregunta Juan sin inmutarse,
vaya, vaya si Dios fuera mujer
es posible que agnósticos y ateos
no dijéramos no con la cabeza
y dijéramos sí con las entrañas.
Tal vez nos acercáramos a su divina desnudez
para besar sus pies no de bronce,
su pubis no de piedra,
sus pechos no de mármol,
sus labios no de yeso.
Si Dios fuera mujer la abrazaríamos
para arrancarla de su lontananza
y no habría que jurar
hasta que la muerte nos separe
ya que sería inmortal por antonomasia
y en vez de transmitirnos SIDA o pánico
nos contagiaría su inmortalidad.
Si Dios fuera mujer no se instalaría
lejana en el reino de los cielos,
sino que nos aguardaría en el zaguán del infierno,
con sus brazos no cerrados,
su rosa no de plástico
y su amor no de ángeles.
Ay Dios mío, Dios mío
si hasta siempre y desde siempre
fueras una mujer
qué lindo escándalo sería,
qué venturosa, espléndida, imposible,
prodigiosa blasfemia.
Terça-feira, Maio 12, 2009
Segunda-feira, Maio 11, 2009
Palavra (en)cantada
Fui assistir o filme Palavra (en)cantada.
Gostei.
Gostei até o meio.
Não gostei, no final.
Depois que acabou, gosto cada vez menos...
Vejamos:
Primeiro, tal qual o script do cinema americano de ação, o filme nos delicia com uma dose altíssima de prazeres com Calcanhotto, Chico, Bethânia - o talento da família, sem dúvida - , falando desse tema que muito nos encanta e nos enchem de brasilidade, se podemos chamar assim algo como "orgulho de ser brasileiro".
Até aí, ficamos encantados com as especulações sobre as raízes poéticas dos autores do que se pode chamar hoje de "linha evolutiva da música popular brasileira", a sua história oficial, quero dizer. O morro idealizado inspirando, a herança dos poetas de escola primária em 1920, etc.. Em suma, fascinante. Mas não se avança , não se sai dos ambientes seguros da opiniões dos entrevistados.
Aí, vem os paulistas que descobriram o mundo através do Caetano, Wisnik e Tatit, e dão por certo coisas como "2 anos depois de "A banda", de Chico, "Alegria alegria", com seus versos livres e soltos... mudou tudo", como se desde o começo dos 60 a versão inglesa do rock'n roll não estavesse botando pra quebrar nos versos com Beatles, Rolling Stones e companhia.
Depois, o bobo do Antônio Cícero, moço claramente com problemas...
E aquele Caetano do festival dos anos 60, que desmistifica o de hoje.
E ele não teria nada a dizer sobre este tema???
Claro que sim, cadê?
Lirinha excepcional, os caras do rap levantam, Arnaldo, às vezes sim às vezes não...
Enfim, a dose foi alta de prazer no começo, baixa no final; as teses ou especulações não levam a nenhuma pesquisa nem interpretação; o filme dá como certo as teses daquela turma da USP sobre o tropicalismo, a despeito do livro Verdade Tropical, de autoria do próprio endeusado; e pra terminar, aquela pergunta completamente sem propósito sobre o fim da canção, o fim da música como conhecemos hoje, sei lá o que que a diretora quis perguntar... irritou muito.
Sábado, Maio 09, 2009
Sexta-feira, Maio 08, 2009
Terça-feira, Maio 05, 2009
A linguagem, as coisas e seus nomes
Na era vitoriana era proibido fazer menção às calças na presença de uma senhorita. Hoje em dia, não fica bem dizer certas coisas perante a opinião pública:
O capitalismo exibe o nome artístico de economia de mercado;
O imperialismo se chama globalização;
As vítimas do imperialismo se chamam países em via de desenvolvimento, que é como chamar de meninos aos anões;
O oportunismo se chama pragmatismo;
A traição se chama realismo;
Os pobres se chamam carentes, ou carenciados, ou pessoas de escassos recursos;
A expulsão dos meninos pobres do sistema educativo é conhecida pelo nome de deserção escolar;
O direito do patrão de despedir sem indenização nem explicação se chama flexibilização laboral;
A linguagem oficial reconhece os direitos das mulheres entre os direitos das minorias, como se a metade masculina da humanidade fosse a maioria;
Em lugar de ditadura militar, se diz processo.
As torturas são chamadas de constrangimentos ilegais ou também pressões físicas e psicológicas;
Quando os ladrões são de boa família, não são ladrões, são cleoptomaníacos;
O saque dos fundos públicos pelos políticos corruptos atende ao nome de enriquecimento ilícito;
Chamam-se acidentes os crimes cometidos pelos motoristas de automóveis;
Em vez de cego, se diz deficiente visual;
Um negro é um homem de cor;
Onde se diz longa e penosa enfermidade, deve-se ler câncer ou AIDS;
Mal súbito significa infarto;
Nunca se diz morte, mas desaparecimento físico;
Tampouco são mortos os seres humanos aniquilados nas operações militares: os mortos em batalha são baixas e os civis, que nada têm a ver com o peixe e sempre pagam o pato, danos colaterais;
Em 1995, quando das explosões nucleares da França no Pacífico Sul, o embaixador francês na Nova Zelândia declarou: “Não gosto da palavra bomba. Não são bombas. São artefatos que explodem”;
Chama-se Conviver alguns dos bandos assassinos da Colômbia, que agem sob proteção militar;
Dignidade era o nome de um dos campos de concentração da ditadura chilena e Liberdade o maior presídio da ditadura uruguaia;
Chama-se Paz e Justiça o grupo militar que, em 1997, matou pelas costas quarenta e cinco camponeses, quase todos mulheres e crianças, que rezavam numa igreja do povoado de Acteal, em Chiapas.
(Do livro De pernas pro ar, editora L&PM)
Sábado, Maio 02, 2009
Augusto Boal
"Vendo o mundo além das aparências, vemos opressores e oprimidos em todas as sociedades, etnias, géneros, classes e castas, vemos o mundo injusto e cruel. Temos a obrigação de inventar outro mundo porque sabemos que outro mundo é possível. Mas cabe a nós construí-lo com nossas mãos entrando em cena, no palco e na vida.
Actores somos todos nós, e cidadão não é aquele que vive em sociedade: é aquele que a transforma!"
Barack Obama não existiria não fosse o Brasil
Amigos, essa história é verdadeira e demonstra o poder do cinema e da arte.
Não é por acaso que Barack Obama já declarou diversas vezes ser brasileiro. Claro que é uma maneira de falar, ele quer dizer que se parece com os brasileiros, mas também quer dizer mais do que isso.
Vamos aos fatos. A mãe de Barack, Ann Dunham, da cidade de Wichita , estado do Kansas, uma jovem americana, tinha uns 17 anos quando conheceu o estudante de economia, muçulmano do Quênia, o africano Barack Obama. Isso aconteceu em Honolulu, Havaí, onde em 4 de agosto de 1961, nasceu Barack Hussein Obama Jr. o primeiro candidato negro a presidência dos Estados Unidos.
Muito fácil de conferir, é só pegar o computador, entrar no “Google” que essas informações aparecerão. Mas, o que não está lá é que a mãe de Barack, a moça branca do Kansas, poucos dias antes de conhecer o negro queniano, seu pai, assistiu o filme
o filme “Orfeu Negro”, do diretor francês Marcel Camus.A película foi grande sucesso popular nos EUA, chegou a ganhar o Oscar de melhor filme estrangeiro de 1960.Ganhou também a Palma de Ouro em Cannes em 1959 e o Globo de Ouro de 1960.
Confiram as datas e vejam como tudo faz sentido.
A jovem Ann adorou o filme. O universo mítico criado pelos versos de Vinicius de Moraes na peça “Orfeu da Conceição”, que serviram de base para o filme, encantaram a moça. Certamente o ator que faz o papel de Orfeu também fez sua parte. Afinal, Breno Mello era muito bonito. E apesar de não ser propriamente um ator - era um jogador de futebol do Fluminense -desempenhou muito bem sua função. Breno morreu aos 74 anos, em julho passado, em Porto Alegre, onde vivia com muitas dificuldades financeiras trabalhando como sapateiro.
O filme tem muitas qualidades, do roteiro ao cenário, o Rio de Janeiro onde as favelas não eram violentas como são hoje, às músicas lindas de Tom Jobim. A favela parece um lugar idílico. Os interiores das casas são simples mas bonitos. A pobreza não está em primeiro plano. A canção tema é a belíssima “Manhã de Carnaval” cantada pelo grande Agostinho dos Santos com sua voz de veludo.
Todos as datas nos levam crer que a moça americana, branca, estava no clima certo, preparada pelo filme para conhecer aquele africano, que viria a ser o pai do possível futuro primeiro homem negro presidente da mais poderosa nação do mundo. Ela deve ter visto o filme depois da premiação do Oscar.
O encanto do cinema influenciou a jovem. O resto ficou para o encanto do pai de Barack. Ouçam as músicas e vejam o filme.Vocês vão chegar à mesma conclusão que eu. A contribuição brasileira foi grande. Se não houvesse o samba, o carnaval, o Brasil, não haveria Barack Obama.
Terça-feira, Abril 28, 2009
I believe in a better way
I'm a living sunset
Lightning in my bones
Push me to the edge
But my will is stone
I believe there's a better way
Fools will be fools
And wise will be wise
But i will look this world
Straight in the eyes
I believe in a better way
What good is a man
Who won't take a stand
What good is a cynic
With no better plan
I believe there's a better way
Reality is sharp
It cuts at me like a knife
Everyone i know
Is in the fight of their life
I believe in a better way
Take your face out of your hands
And clear your eyes
You have a right to your dreams
And don't be denied
I believe in a better way
(Ben Harper)
Sexta-feira, Abril 24, 2009
Fernando Sabino em 2 tempos
De tudo ficaram três coisas...
A certeza de que estamos começando...
A certeza de que é preciso continuar...
A certeza de que podemos ser interrompidos antes de terminar...
Façamos da interrupção um caminho novo...
Da queda, um passo de dança...
Do medo, uma escada...
Do sonho, uma ponte...
Da procura, um encontro!
O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem.
Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.
Domingo, Abril 19, 2009
Domingo, Abril 05, 2009
Domingo, Março 29, 2009
Geraldão, um brinde à Vida
Por Bob Fernandes
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Geraldão na campanha de Waldir Pires, em 1986: o riso diante da vida |
Amanhã, sábado 28, família e amigos se reúnem numa praça no Rio Vermelho, em Salvador, para celebrar a memória de Geraldo Walter de Souza Filho, o Geraldão. Aos 41 anos, em 1998, o publicitário Geraldo se foi. Muito se disse e se dirá daquele que é tido e havido como o grande nome do marketing político no Brasil. Do meu amigo que partiu tão cedo, no 14 de Março, data em que nasceu meu pai, Henrique, pouco direi do talento e do sucesso profissional; muitos dos que amanhã irão festejar sua história na praça Geraldo Walter estão bem mais capacitados para recordar esse belo caminho da sua vida.
(Para saber mais sobre sua trajetória profissional, ler neste link).
Digo, direi aqui, do amigo. Do amigo com um carisma, com uma capacidade de liderança pessoal e profissional rara. Tanta que despertou, desperta até hoje, uma onda de ciúme entre quem com ele conviveu. Ciúme não apenas entre elas. Também eles se batem para saber, dizer, provar quem foi mais seu amigo, de quem ele foi mais amigo. Não me atrevo a tanto. Apenas recordo e festejo o tempo que viveu um queridíssimo amigo, daqueles que marcam nossas vidas com seu brilho.
Geraldo Walter de Souza Filho. Geraldão. O Big. O Biggest. Muitas as formas superlativas para chamá-lo carinhosamente. Antes dele conheci Guta, a mana. Nas manhãs e tardes, verões e verões do Porto da Barra, com Nem, Isinha, Kiko, com Clarinha…
Com aquele tamanhão todo não havia como não percebê-lo nas ruas e noites de Salvador, mas o primeiro contato objetivo foi em Jequié. Começo da campanha de Waldir Pires para o governo da Bahia, a guerra nada santa contra ACM e sua tropa, idos de 1986.
Waldir caminha em meio ao povo, ao lado de Jutahy Magalhães, o pai. Ao lado deles, meio corpo acima da multidão, Geraldão. Numa salinha apertada militantes históricos fustigam Jutahy, aliado de Antonio Carlos Magalhães num outro tempo. Jutahy, sentado na beira de uma mesa, responde com toda sua bonomia:
- Eu sou Paulo na estrada de Damasco…
A gargalhada de Geraldão sacode a sala.
Recém-desembarcado em Salvador, vindo de Brasília para testemunhar e escrever para o Jornal do Brasil sobre a nada santa guerra, percebo ali quem é o marqueteiro - como chamávamos - de Waldir, quem eram os caras que enfrentariam Duda Mendonça na campanha de ACM/Josaphat Marinho. Geraldão e a infantaria da D&E, outros queridos amigos e amigas. Quatro meses inesquecíveis.
Bahia adentro, a espera do Messias. Comícios às três, quatro, cinco horas da manhã, de lugarejo em lugarejo a multidão à espera de Waldir, o locutor a incensar ainda mais…:
-… Ele vai chegar…Ele está chegando…Ele…
No QG da campanha testemunhei viradas e virotes, o companheirismo mas também broncas monumentais, o talento e bom humor na construção de cada peça, cada programa eleitoral. Ali, ficamos amigos. Eu, até o final, um dos poucos sem relação também de trabalho, sem laços também profissionais.
Salvador, Brasília, São Paulo, Luanda, Washington… Sempre muitíssimo bem informado, sempre querendo saber mais. E muito bom humor. E muito rolo no departamento que comanda a vida.
Uma tarde, muitas confidências depois de arrastado almoço no Massimo, em São Paulo, provoquei:
- …mas Big, não a conheço direito mas essa mulher é dureza, vai querer dar um nó em você, a história dela já é a própria encrenca…
A resposta, confesso, me surpreendeu:
- Por isso mesmo…assim é que é bom…
Brasília. Gol de Maurício, ponta direita. Contra o Flamengo, no Maracanã, Botafogo campeão depois de 21 anos. Na alegria alvinegra quase detonamos um quarto do Hotel Nacional, onde gostava de se hospedar.
Campanha de Waldir e Ulysses Guimarães…”Bote fé no velhinho, o velhinho é demais…” Jornada dolorosa para o velho líder, mas divertidíssima pelos bastidores, pela demorada permanência do amigo em Brasília.
Eleição em Angola, por onde passei a caminho das guerras em Ruanda e Somália. O horror, apesar do armistício MPLA-UNITA, mas também a farra nos bastidores, a brasileirada, a baianada em Luanda em meio à paz meia boca.
No comando executivo da campanha, outra vez Geraldão, o Big. Ali, dele ouvi queixas sobre o ego, a vaidade alheia, e histórias deliciosas sobre os rolos de sempre no departamento que comanda, deveria comandar, a vida.
Num cantinho no QG da campanha - um universo de Marlboro - se davam as tentativas e tratativas, múltiplas as tentativas em razão da enorme desproporção entre a testosterona e a progesterona naquela porção verde-amarela de Luanda. Anos depois ele ainda gargalharia com o batismo dado àquele cantinho do QG:
- Love Corner.
Finda a campanha, reiniciada a guerra, o recebemos em Washington. Geraldão, com a franqueza habitual, disse a mim e a Ana:
- Dou Washington por vista. Vamos sair de carro, olhar as ruas, mas não quero visitar nada, ver museu algum, monumento nenhum. Quero ficar em casa, sair pra comer, dormir, e conversar.
Assim foi feito.
De volta ao Brasil, ele em São Paulo, em sociedade com Nizan. Campanha de FHC. O talento, único, de sempre, a tropa de sempre, nossas conversas, jantares e almoços, como sempre. Os rolos, como sempre.
Fim do namoro com uma prima minha em meio ao começo de namoro com outra prima. Cutuquei:
- Rapaz, para de rondar minha família…
Até hoje ecoa a gargalhada.
Outra eleição. Em São Paulo. Nessa, profunda irritação com o candidato:
- Nesse cara, eu que faço a campanha não voto, o motorista não vota, a secretária não vota…
Sem bom humor não há quem agüente.
De repente, numa tarde-noite, um telefonema:
- Preciso te ver…é urgente, urgente mesmo…
Conversa lá em casa. O que ele queria, o que sentia, o quê e como deveria fazer. Como seria o futuro? Ele ficara sabendo poucas horas antes. Ia ser pai.
O Destino. Uma decisão dos deuses. Ele se foi, mas aí está nosso amado e querido Felipe. Seu filho com Cila.
Numa noite, o cansaço extremo num jantar. Quase dormiu à mesa, Ana estranhou. Pouco dias depois, num almoço, o comentário. Sem preocupação alguma:
- Vou fazer um exame amanhã, acho que é alguma coisa de divertículo, alguma bobagem…
Não era uma bobagem. Me contou por telefone.
Na última vez que nos vimos, fez questão de dar uma carona. Seu amigo Ferreira na direção. Já magro, sereno, mas nos olhos também a vontade de não ir, de quem sabe, porque soube viver, que a vida é bela.
Na janela do carro, na Avenida Brasil, o adeus.
Quarta-feira, Março 25, 2009
Terça-feira, Março 24, 2009
"Fazer, e ao fazer, fazer-se, e não ser nada além do que se faz." Sartre
Do It
Lenine/Ivan Santos
Tá cansada, sentaSe acredita, tenta
Se tá frio, esquenta
Se tá fora, entra
Se pediu, agüenta
Se pediu, agüenta...
Se sujou, cai fora
Se dá pé, namora
Tá doendo, chora
Tá caindo, escora
Não tá bom, melhora
Não tá bom, melhora...
Se aperta, grite
Se tá chato, agite
Se não tem, credite
Se foi falta, apite
Se não é, imite...
Se é do mato, amanse
Trabalhou, descanse
Se tem festa, dance
Se tá longe, alcance
Use sua chance
Use sua chance...
Se tá puto, quebre
Ta feliz, requebre
Se venceu, celebre
Se tá velho, alquebre
Corra atrás da lebre
Corra atrás da lebre...
Se perdeu, procure
Se é seu, segure
Se tá mal, se cure
Se é verdade, jure
Quer saber, apure
Quer saber, apure...
Se sobrou, congele
Se não vai, cancele
Se é inocente, apele
Escravo, se rebele
Nunca se atropele...
Se escreveu, remeta
Engrossou, se meta
E quer dever, prometa
Prá moldar, derreta
Não se submeta
Não se submeta...
Sexta-feira, Fevereiro 13, 2009
István Mészàros, um dos principais pensadores marxistas da atualidade
| 07/02/2009 | Copyleft
"Solução neokeynesiana e novo Bretton Woods são fantasias"
Em entrevista à revista inglesa Socialist Review, István Mészàros, um dos principais pensadores marxistas da atualidade, analisa a crise econômica mundial e critica aqueles que apostam que ela será resolvida trazendo de volta as idéias keynesianas e a regulação. "É uma fantasia que uma solução neo-keynesiana e um novo Bretton Woods resolveriam qualquer dos problemas dos dias atuais", defende Mészàros. Para ele, estamos vivendo a maior crise na história humana, em todos os sentidos.
Judith Orr e Patrick Ward - Socialist Review
Em 1971 István Mészàros ganhou o Prêmio Deutscher pelo seu livro A Teoria da Alienação em Marx e desde então tem escrito sobre o marxismo. Em janeiro deste ano, ele conversou com Judith Orr e Patrick Ward, da Socialist Review, sobre a atual crise econômica.
Socialist Review: A classe dominante sempre é surpreendida por crises econômicas e fala delas como fossem aberrações. Por que você acha que as crises são inerentes ao capitalismo?
István Mészàros – Eu li recentemente Edmund Phelps, que ganhou o Prêmio Nobel de Economia, em 2006. Phelps é um tipo de neokeynesiano. Ele estava, é claro, glorificando o capitalismo e apresentando os problemas atuais como apenas um contratempo, dizendo que “tudo o que devemos fazer é trazer de volta as idéias keynesianas e a regulação.”
John Maynard Keynes acreditava que o capitalismo era ideal, mas queria regulação. Phelps estava reproduzindo a idéia grotesca de que o sistema é como um compositor musical. Ele pode ter alguns dias de folga nos quais não pode produzir tão bem, mas se você olhar no todo verá que ele é maravilhoso! Pense apenas em Mozart – ele deve ter tido o velho e esquisito dia ruim. Assim é o capitalismo em crise, como dias ruins de Mozart. Quem acredita nisso deveria ter sua cabeça examinada. Mas, no lugar de ter sua cabeça examinada, ele ganhou um prêmio.
Se nossos adversários têm esse nível de pensamento – o qual tem sido demonstrado, agora, ao longo de um período de 50 anos, não é apenas um escorregão acidental de economista vencedor de prêmio – poderíamos dizer, “alegre-se, esse é o nível baixo do nosso adversário”. Mas com esse tipo de concepção você termina no desastre de que temos experiência todos os dias. Nós afundamos numa dívida astronômica. As dívidas reais neste país (Inglaterra) devem ser contadas em trilhões.
Mas o ponto importante é que eles vêm praticando orgias financeiras como resultado de uma crise estrutural do sistema produtivo. Não é um acidente que a moeda tenha inundado de modo tão adventista o setor financeiro. A acumulação de capital não poderia funcionar adequadamente no âmbito da economia produtiva.
Agora estamos falando da crise estrutural do sistema. Ela se extende por toda parte e viola nossa relação com a natureza, minando as condições fundamentais da sobrevivência humana. Por exemplo, de tempos em tempos anunciam algumas metas para diminuir a poluição. Temos até um ministro da energia e da mudança climática, que na verdade é um ministro do lero lero, porque nada faz além de anunciar uma meta. Só que essa meta nunca é sequer aproximada, quanto mais atingida. Isso é uma parte integral da crise estrutural do sistema e só soluções estruturais podem nos tirar desta situação terrível.
SR - Você descreveu os EUA como levando a cabo um imperialismo de cartão de crédito. O que você quer dizer com isso?
IM – Eu lembro do senador norte-americano George McGovern na guerra do Vietnã. Ele disse que os EUA tinham fugido da guerra do Vietnã num cartão de crédito. O recente endividamento dos EUA está azedando agora. Esse tipo de economia só avança enquanto o resto do mundo pode sustentar sua dívida.
Os EUA estão numa posição única porque tem sido o país dominante desde o acordo de Bretton Woods. É uma fantasia que uma solução neokeynesiana e um novo Bretton Woods resolveriam qualquer dos problemas dos dias atuais. A dominação dos EUA que Bretton Woods formalizou imediatamente depois da Segunda Guerra era realista economicamente. A economia norte-americana estava numa posição muito mais poderosa do que qualquer outra economia do mundo. Ela estabeleceu todas as instituições econômicas internacionais vitais com base no privilégio dos EUA. O privilégio do dólar, o privilégio aproveitado pelo Fundo Monetário Internacional, pelas organizações comerciais, pelo Banco Mundial, todos completamente sob a dominação dos EUA, e ainda permanece assim hoje.
Não se pode fazer de conta que isso não existe. Você não pode fantasiar reformas e regulações leves aqui e acolá. Imaginar que Barack Obama vai abandonar a posição dominante de que os EUA dispõe, nesse sentido – apoiada pela dominação militar – é um erro.
SR – Karl Marx chamou a classe dominante de “bando de irmãos guerreiros”. Você acha que a classe dominante vai trabalhar junta, internacionalmente, para encontrar uma solução?
IM – No passado o imperialismo envolveu muitos atores dominantes que asseguraram seus interesses mesmo às custas de duas horrendas guerras mundiais no século XX. Guerras parciais, não importa o quão horrendas são, não podem ser comparadas ao realinhamento do poder e da economia que seria produzido por uma nova guerra mundial.
Mas imaginar uma nova guerra mundial é impossível. É claro que ainda há alguns lunáticos no campo miliar que não negariam essa possibilidade. Mas isso significaria a destruição total da humanidade.
Temos de pensar as implicações disso para o sistema capitalista. Era uma lei fundamental do sistema que se uma força não pudesse ser assegurada pela dominação econômica você recorreria à guerra.
O imperialismo global hegemônico tem sido conquistado e operado com bastante sucesso desde a Segunda Guerra Mundial. Mas esse tipo de sistema é permanente? É concebível que nele não surjam contradições, no futuro?
Algumas pistas vem sendo dadas pela China de que esse tipo de dominação econômica não pode avançar indefinidamente. A China não será capaz de seguir financiando isso. As implicações e consequencias para a China já são bastante significantes. Deng Xiaoping uma vez disse que a cor do gato – seja ele capitalista ou socialista – não importa, desde que ele pegue o rato. Mas e se, no lugar da caçada feliz do rato se termine numa horrenda infestação de ratos de desemprego massivo? Isso está acontecendo agora na China.
Essas coisas são inerentes nas contradições e antagonismos do sistema capitalista. Portanto, temos de pensar em resolvê-los de uma maneira radicalmente diferente, e a única maneira é uma genuína transformação socialista do sistema.
SR - Não há em parte alguma do mundo econômico desacoplamento dessa situação?
IM- Impossível! A globalização é uma condição necessária do desenvolvimento humano. Desde que o sistema capitalista se tornou claramente visível Marx teorizou isso. Martin Wolf, do Financial Times tem reclamado de que há muitos pequenos, insignificantes estados que causam problemas. Ele argumenta que seria preciso uma “integração jurisdicional”, em outras palavras, uma completa integração imperialista – um conceito fantasia. Trata-se de uma expressão das contradições e antagonismos insolúveis da globalização capitalista. A globalização é uma necessidade, mas a forma em que é exequível e sustentável é a de uma globalização socialista, com base nos princípios socialistas da igualdade substantiva.
Ainda que não haja desacoplamento na história do mundo, é concebível que isso não signifique que em toda fase, em todas as partes do mundo, haja uniformidade. Muitas coisas diferentes estão se desenvolvendo na América Latina, em comparação com a Europa, para não mencionar o que eu já assinalei sobre a China, o Sudeste Asiático e o Japão, que está mergulhado em problemas mais profundos.
Vamos pensar no que aconteceu há pouco tempo. Quantos milagres tivemos no período do pós-guerra? O Milagre Alemão, o Milagre Brasileiro, o Milagre Japonês, o Milagre dos cinco Tigres Asiáticos? Engraçado que todos esses milagres tenham se convertido na mais terrível realidade prosaica. O denominador comum de todas essas realidades é o endividamento desastroso e a fraude.
Um dirigente de um fundo hedge foi supostamente envolvido numa farsa envolvendo 50 bilhões de dólares. A General Motors e outras estavam pedindo ao governo norte-americano somente 14 bilhões de dólares. Que modesto! Eles deveriam ter dado 100 bilhões. Se um fundo hedge capitalista pode organizar uma suposta fraude de 50 bilhões, eles devem chegar a todos os fundos possíveis.
Um sistema que opera nesse modo moralmente podre não pode provavelmente sobreviver, porque é incontrolável. As pessoas chegam a admitir que não sabem como isso funciona. A solução não é desesperar-se, mas controlá-lo em nome da responsabilidade social e de uma radical transformação da sociedade.
SR – A tendência inerente do capitalismo é exigir dos trabalhadores o máximo possível, e isso é claramente o que os governos estão tentando fazer na Grã Bretanha e nos EUA.
IM – A única coisa que eles podem fazer é advogar pelos salários dos trabalhadores. A razão principal pela qual o Senado recusou a injetar 14 bilhões de dólares nas três maiores companhias de automóveis é que não puderam obter acordo sobre a drástica redução dos salários. Pense no efeito disso e nos tipos de obrigações que esses trabalhadores têm – por exemplo, repagando pesadas hipotecas. Pedir-lhes que simplesmente passem a receber metade de seus salários geraria outros tipos de problemas na economia – de novo, a contradição.
Capital e contradições são inseparáveis. Temos de ir além das manifestações superficiais dessas contradições e de suas raízes. Você consegue manipulá-las aqui e ali, mas elas voltarão com uma vingança. Contradições não podem ser jogadas para debaixo do tapete indefinidamente, porque o carpete, agora, está se tornando uma montanha.
SR – Você estudou com Georg Lukács, um marxista que retomou o período da Revolução Russa e foi além.
IM – Eu trabalhei com Lukács sete anos, antes de deixar a Hungria em 1956 e nos tornamos amigos muito próximos até a sua morte, em 1971. Sempre nos olhamos nos olhos – é por isso que eu queria estudar com ele. Então aconteceu que quando eu cheguei para estudar com ele, ele estava sendo feroz e abertamente atacado, em público. Eu não aguentei aquilo e o defendi, o que levou a todos os tipos de complicações. Logo que deixei a Hungria, fui designado sucessor, na universidade, ensinando estética. A razão pela qual deixei o país foi precisamente porque estava convencido de que o que estava acontecendo era uma variedade de problemas muito fundamentais que o sistema não poderia resolver.
Eu tentei formular e examinar esses problemas em meus livros, desde então. Em particular em "A Teoria Alienação em Marx" e "Para Além do Capital" (*). Lukács costumava dizer, com bastante razão, que sem estratégia não se pode ter tática. Sem uma perspectiva estratégica desses problemas você não pode ter soluções do dia-a-dia. Então eu tentei analisar esses problemas consistentemente, porque eles não podem ser simplesmente tratados no nível de um artigo que apenas relata o que está acontecendo hoje, ainda que haja uma grande tentação de fazê-lo. No lugar disso, deve ser apresentada uma perspectiva histórica. Eu venho publicando desde que meu primeiro ensaio justamente substancial foi publicado, em 1950, num periódico literário na Hungria e eu tenho trabalhado tanto como posso, desde então. À medida de nossos modestos meios, damos nossa contribuição em direção da mudança. Isso é o que tenho tentado fazer ao longo de toda minha vida.
SR- O que você pensa das possibilidades de mudança neste momento?
IM – Os socialistas são os últimos a minimizar as dificuldades da solução. Os apologistas do capital, sejam eles neokeynesianos ou o que quer que sejam, podem produzir todos os tipos de soluções simplistas. Eu não penso que podemos considerar a crise atual simplesmente da maneira que o fizemos no passado. A crise atual é profunda. O diretor substituto do Banco da Inglaterra adimitiu que esta é a maior crise econômica na história da humanidade. Eu apenas acrescentaria que esta não é apenas a maior crise na história humana, mas a maior crise em todos os sentidos. Crises econômicas não podem ser separadas do resto do sistema.
A fraude e a dominação do capital e a exploração da classe trabalhadora não podem continuar para sempre. Os produtores não podem ser postos constantemente e para sempre sob controle. Marx argumenta que os capitalistas são simplesmente personificações do capital. Não são agentes livres; estão executando imperativos do sistema. Então, o problema da humanidade não é simplesmente vencer um bando de capitalistas. Pôr simplesmente um tipo de personificação do capital no lugar do outro levaria ao mesmo desastre e cedo ou tarde terminaríamos com a restauração do capitalismo.
Os problemas que a sociedade está enfrentando não surgiram apenas nos últimos anos. Cedo ou tarde isso tem de ser resolvido e não, como o vencedor do Prêmio Nobel deve fantasiar, no interior da estrutura do sistema. A única solução possível é encontrar a reprodução social com base no controle dos produtores. Essa sempre foi a idéia do socialismo.
Nós alcançamos os limites históricos da capacidade do capital controlar a sociedade. Eu não quero dizer apenas bancos e instituições financeiras, ainda que eles não possam controlá-las, mas o resto. Quando as coisas dão errado ninguém é responsável. De tempos em tempos os políticos dizem: “Eu aceito total responsabilidade”, e o que acontece? Eles são glorificados. A única alternativa exequível é a classe trabalhadora, que é a produtora de tudo o que é necessário em nossa vida. Por que eles não deveriam controlar o que produzem? Eu sempre enfatizei em todos os livros que dizer não é relativamente fácil, mas temos de encontrar a dimensão positiva.
István Mészàros é o autor do recentemente publicado "The challenge and burden of Historical Time", "Os Desafios e o Fardo do Tempo Histórico", publicado no Brasil pela Boitempo Editorial, 2007.
(*) Ambos publicados no Brasil pela Boitempo Editorial.
Artigo originalmente publicado na Socialist Review
Tradução: Katarina Peixoto
Sábado, Fevereiro 07, 2009
“La gran odisea de nuestro tiempo, este viaje con más náufragos que navegantes”
Sexta-feira, Fevereiro 06, 2009
Uma reportagem, mesmo, sobre a faixa de Gaza
Vídeo da CNN - Parte 1
Vídeo da CNN - Parte 2
Vídeo da CNN - Parte 3
Vídeo da CNN - Parte 4
Vídeo da CNN - Parte 5
Terça-feira, Janeiro 20, 2009
Terça-feira, Janeiro 13, 2009
Ghandi e o Conflito Judaico-Palestino
Na Alemanha as minhas simpatias estão todas com os judeus. Eu os conheci intimamente na África do Sul. Alguns deles se tornaram grandes amigos. Através destes amigos aprendi muito sobre as perseguições que sofreram. Eles têm sido os “intocáveis” do cristianismo; há um paralelo entre eles, e os “intocáveis” dos hindus. Sanções religiosas foram invocadas nos dois casos para justificar o tratamento dispensado a eles. Afora as amizades, há a mais universal razão para a minha simpatia pelos judeus. No entanto, a minha simpatia não me cega para a necessidade de Justiça.
O pedido por um lar nacional para os judeus não me convence.
Por quê eles não fazem, como qualquer outro dos povos do planeta, que vivem no país onde nasceram e fizeram dele o seu lar?
A Palestina pertence aos palestinos, da mesma forma que a Inglaterra pertence aos ingleses, ou a França aos franceses.
É errado e desumano impor os judeus aos árabes. O que está acontecendo na Palestina não é justificável por nenhuma moralidade ou código de ética. Os mandatos não têm valor. Certamente, seria um crime contra a humanidade reduzir o orgulho árabe para que a Palestina fosse entregue aos judeus parcialmente ou totalmente como o lar nacional judaico.
O caminho mais nobre seria insistir num tratamento justo para os judeus em qualquer parte do mundo em que eles nascessem ou vivessem. Os judeus nascidos na França são franceses, da mesma forma que os cristãos nascidos na França são franceses.
Se os judeus não têm um lar senão a Palestina, eles apreciariam a idéia de serem forçados a deixar as outras partes do mundo onde estão assentados? Ou eles querem um lar duplo onde possam ficar à vontade?
Este pedido por um lar nacional oferece várias justificativas para a expulsão dos judeus da Alemanha. Mas a perseguição dos alemães aos judeus parece não ter paralelo na História. Os antigos tiranos nunca foram tão loucos quanto Hitler parece ser.
E ele está fazendo isso com zelo religioso. Ele está propondo uma nova religião de exclusivo e militante nacionalismo em nome do qual, qualquer atrocidade se transforma em um ato de humanidade a ser recompensado aqui e no futuro. Os crimes de um homem desorientado e intrépido, estão sendo observados sob o olhar da sua raça, com uma ferocidade inacreditável.
Se houver sempre uma guerra justificável em nome da humanidade, a guerra contra a Alemanha para prevenir a perseguição desumana contra uma raça inteira seria totalmente justificável. Mas eu não acredito em guerra nenhuma. A discussão sobre a conveniência ou inconveniência de uma guerra está, portanto, fora do meu horizonte. Mas se não pode haver guerra contra a Alemanha, mesmo por crimes que estão sendo cometidos contra os judeus, certamente não pode haver aliança com a Alemanha. Como pode haver aliança entre duas nações que clamam por justiça e democracia e uma se declara inimiga da outra? Ou a Inglaterra está se inclinando para uma ditadura armada, e o que isso significa?
A Alemanha está mostrando ao mundo como a violência pode ser eficientemente trabalhada quando não é dissimulada por nenhuma hipocrisia ou fraqueza mascarada de humanitarismo; está mostrando como é hediondo, terrível e assustador quando isso aparece às claras, sem disfarces. Os judeus podem resistir a esta organizada e desavergonhada perseguição? Existe uma maneira de preservar a sua auto-estima e não se sentirem indefesos, abandonados e infelizes? Eu acredito que sim. Ninguém que tenha fé em Deus precisa se sentir indefeso, ou infeliz. O Jeová dos judeus é um Deus mais pessoal que o Deus dos cristãos, muçulmanos ou hindus, embora realmente, em sua essência, Ele seja comum a todos. Mas como os judeus atribuem personalidade a Deus e acreditam que Ele regula cada ação deles, estes não se sentiriam desamparados.
Se eu fosse judeu e tivesse nascido na Alemanha e merecido a minha subsistência lá, eu reivindicaria a Alemanha como o meu lar, do mesmo modo que um “genuíno” alemão o faria, e desafiaria qualquer um a me jogar na masmorra; eu me recusaria a ser expulso ou a sofrer discriminação. E fazendo isso, não deveria esperar por outros judeus me seguindo em uma resistência civil, mas teria confiança que no final estariam compelidos a seguir o meu exemplo.
E agora uma palavra aos judeus na Palestina:
Não tenho dúvidas de que os judeus estão indo pelo caminho errado. A Palestina, na concepção bíblica, não é um tratado geográfico. Ela está em seus corações. Mas se eles devem olhar a Palestina pela geografia como sua pátria mãe, está errado aceitá-la sob a sombra do belicismo britânico. Um ato religioso não pode acontecer com a ajuda da baioneta ou da bomba. Eles poderiam estabelecer-se na Palestina somente pela boa vontade dos palestinos. Eles deveriam procurar convencer o coração palestino. O mesmo Deus que rege o coração árabe, rege o coração judeu. Só assim eles teriam a opinião mundial favorável às suas aspirações religiosas. Há centenas de caminhos para uma solução com os árabes, se descartarem a ajuda da baioneta britânica.
Como está acontecendo, os judeus são responsáveis e cúmplices com outros países, em arruinar um povo que não fez nada de errado com eles.
Eu não estou defendendo as reações dos palestinos. Eu desejaria que tivessem escolhido o caminho da não-violência a resistir ao que eles, corretamente, consideraram como invasão de seu país por estrangeiros. Porém, de acordo com os cânones aceitos de certo e errado, nada pode ser dito contra a resistência árabe face aos esmagadores acontecimentos.
Deixemos os judeus, que clamam serem os Escolhidos por Deus, provar o seu título escolhendo o caminho da não-violência para reclamar a sua posição na Terra. Todos os países são o lar deles, incluindo a Palestina, não por agressão mas por culto ao amor.
Um amigo judeu me mandou um livro chamado A contribuição judaica para a civilização, de Cecil Roth. O livro nos dá uma idéia do que os judeus fizeram para enriquecer a literatura, a arte, a música, o drama, a ciência, a medicina, a agricultura etc., no mundo. Determinada a vontade, os judeus podem se recusar a serem tratados como os párias do Ocidente, de serem desprezados ou tratados com condescendência.
Eles podiam chamar a atenção e o respeito do mundo por serem a criação escolhida de Deus, em vez de se afundarem naquela brutalidade sem limites. Eles podiam somar às suas várias contribuições, a contribuição da ação da não-violência.”
(publicado em My Non-Violence, editado por Sailesh K. Bandopadhaya, Navajivan Publishing House, Ahmedabad, 1960.)
Domingo, Janeiro 11, 2009
Para ganhar eleições em Israel?
Quantas divisões?*
Uri Avnery, 10/1/2009
HÁ QUASE 70 ANOS, durante a II Guerra Mundial, cometeu-se um crime de ódio em Leningrado. Por mais de mil dias, uma gang de extremistas, chamada "o Exército Vermelho" sequestrou e manteve sob sítio os milhões de habitantes da cidade, o que provocou ação de retaliação pela German Wehrmacht, que teve de agir em áreas superpovoadas. Os alemães só tiveram essa escolha: bombardear e encurralar a população e impor total bloqueio, o que matou centenas de milhares.
Pouco antes disso, crime similar foi cometido na Inglaterra. A gang de Churchill infiltrou-se entre os moradores de Londres, servindo-se de milhões de seres humanos como escudo humano. Os alemães foram obrigados a despachar para lá sua Luftwaffe e muito relutantemente reduziram a cidade a ruínas. Chamaram de "a Blitz".
Essa seria a narrativa da história, que veríamos hoje nos livros escolares – se os alemães tivessem vencido a guerra.
Absurdo? Tão absurdo quanto o que se lê diariamente nos jornais em Israel, repetido ad nauseam: os terroristas do Hamás "sequestraram" os habitantes de Gaza e exploram mulheres e crianças como "escudos humanos". Não deixam alternativa ao exército de Israel, que é obrigado a bombardear furiosamente, processo durante o qual, Israel lamenta muito, Israel mata e mutila milhares de mulheres, homens desarmados e crianças.
NA GUERRA EM CURSO EM GAZA, como em todas as guerra modernas, a propaganda desempenha papel de protagonista. A disparidade entre as forças, entre o exército de Israel – aviões de última geração, metralhadoras, fuzis, lança-granadas, navios de guerra, tanques, carros blindados de todos os tipos – e uns poucos milhares de combatentes do Hamás, que só têm armas leves, é disparidade absoluta: de um, para mil, talvez de um, para um milhão. Na arena política a diferença é ainda mais ampla. Mas na guerra de propaganda, a diferença é quase infinita.
Praticamente toda a imprensa ocidental só fez repetir, de início, a linha oficial da propaganda de Israel. Ignoraram completamente o outro lado, o lado palestinense da história, para não dizer que jamais noticiaram as manifestações diárias que acontecem, feitas pelos militantes israelenses dos grupos pela paz. O mundo aceitou como verdadeiro o argumento de propaganda do governo de Israel (“O Estado tem de defender os cidadãos contra os foguetes Qassam”). Nenhum jornal lembrou que os Qassams são reação ao sítio, cerco, bloqueio que mata de fome 1,5 milhão de seres humanos na Faixa de Gaza.
Só depois que as televisões ocidentais começaram a exibir cenas horrendas, imagens da Faixa de Gaza, então, a opinião pública gradualmente começou a mudar.
É verdade que as televisões ocidentais e israelenses só mostraram uma pequena porção dos horrores que aparecem, 24 horas por dia, mostrados ao mundo árabe pelo canal árabe da Al-Jazeera, mas uma única imagem de um bebê morto, nos braços de um pai alucinado é mais poderosa do que o infindável palavrório de frases bem construídas do porta-voz do exército israelense. No final, aquele pai e aquele bebê comprovaram-se mais poderosos que o exército e o porta-voz do exército de Israel.
A guerra – qualquer guerra – é o império das mentiras. Chamem-nas "propaganda", ou "guerra psicológica", aceita-se em geral que muitos mintam a um país inteiro. E quem tente dizer a verdade corre o risco de ser acusado de traição.
O problema da propaganda é que ela sempre convence mais o propagandista, que o resto do mundo. E depois de alguém passar a crer que uma mentira é verdade, que o falso é real... já ninguém é capaz de tomar decisões racionais.
Exemplo desse processo viu-se no episódio mais chocante, até agora, da guerra de Gaza: o bombardeio da Escola Fakhura, da ONU, no campo de refugiados de Jabaliya.
Imediatamente depois de o mundo tomar conhecimento do crime que ali se cometeu, o exército de Israel "revelou" que combatentes do Hamás estariam disparando granadas de área próxima à entrada da escola. Como prova, exibiram uma foto aérea na qual, sim, se via uma escola e uma granada. Minutos depois, o mentiroso de plantão no exército teve de admitir que a foto era antiga, de mais de um ano. Em resumo: a foto foi falsificada.
Depois, outro mentiroso armado 'declarou' que "nossos soldados estavam sendo atacados a tiros, de dentro da escola". Dia seguinte, o exército foi obrigado a reconhecer frente aos funcionários da ONU, que também a segunda 'declaração' era mentira. Ninguém foi atacado a tiros, de dentro da escola, nem havia combatentes do Hamás dentro da escola. Dentro da escola só havia refugiados desarmados e apavorados.
De qualquer modo, o desmentido não fez grande diferença. Àquela altura, a opinião pública já estava cegamente convencida de que "estavam atirando de dentro da escola" – o que jornalistas continuaram a 'noticiar' pela televisão, como se fosse verdade.
E assim por diante, a cada nova atrocidade, uma nova mentira. Cada bebê metamorfoseava-se, no momento de morrer, em terrorista do Hamás. Cada mesquita bombardeada convertia-se instantaneamente em base do Hamás. Cada prédio de apartamentos, em esconderijo de armas; cada escola, em posto de comando do terror; cada prédio da administração pública, em "símbolo do poder dos terroristas do Hamás". Assim, o exército de Israel travestiu-se, mais uma vez, de "o mais moral exército do mundo".
A VERDADE é que as atrocidades são consequência direta do plano de guerra. Refletem a personalidade de Ehud Barak – homem cujo modo de pensar e agir são exemplo do que se conhece como "insanidade moral", desordem sociopática.
O objetivo real da Guerra de Gaza (além de conquistar algumas cadeiras nas eleições próximas) é destruir o Hamás na Faixa de Gaza. Na imaginação dos estrategistas sociopatas do exército de Israel, o Hamás é um invasor que controla um país estrangeiro. Claro que a realidade é outra.
O movimento Hamás venceu eleições perfeitamente legais e democráticas realizadas na Cisjordânia, em Jerusalém Leste e na Faixa de Gaza. Venceu, porque os palestinenses chegaram à conclusão de que a abordagem pacífica do Fatah nada obtivera, que prestasse, de Israel – sequer foi interrompida a construção de novas colônias; nenhum prisioneiro político foi libertado; nenhum passo significativo foi dado para pôr fim à ocupação ilegal e criar o Estado da Palestina.
O Hamás está profundamente enraizado na população – não só como movimento de resistência que combate a ocupação ilegal, como foi, no passado, o movimento Irgun e o Grupo Stern –, mas também como corpo político e religioso que oferece serviços de assistência social, educacional e serviços de saúde.
Do ponto de vista da população da Palestina, os combatentes do Hamás não são um 'corpo estranho': são os filhos das famílias que vivem na Faixa e em outras regiões da Palestina. Eles não são nem estão "infiltrados na população", nem "usam a população como escudos humanos". A população da Palestina vê os combatentes do Hamás como os seus, como os seus soldados, como os seus defensores.
Portanto, toda a operação que levou a essa guerra baseou-se em premissas erradas. Transformar o dia-a-dia da Palestina em inferno jamais levará os palestinenses a levantar-se contra o Hamás. Acontecerá exatamente o oposto: a população unir-se-á cada vez mais firmemente em torno do Hamás; a cada dia aumentará a decisão de não se render. Os habitantes de Leningrado não se levantaram contra Stalin. Nem os ingleses de Londres levantaram-se contra Churchill.
Quem ordena que os soldados façam o que têm feito, mediante os métodos que o exército de Israel tem usado em área densamente povoada, sabe que massacrará civis. Aparentemente nada disso o perturba. Ou, então, ele pensa que "mudarão de opinião" e "acordarão para o bom-senso", de modo que, no futuro, nunca mais se atreverão a resistir contra Israel.
A prioridade do exército de Israel era minimizar o número de soldados mortos, porque sabem que a opinião dos eleitores mudará, no instante em que Israel comece a enterrar seus filhos. Aconteceu exatamente assim, nas duas guerras do Líbano.
Essa consideração teve papel particularmente importante, porque toda a guerra é item da campanha eleitoral. Ehud Barak, que chegou ao topo das pesquisas nos primeiros dias da guerra, sabe que despencará de lá, se as televisões começarem a mostrar imagens de soldados israelenses mortos.
Portanto, Israel implementa hoje outra doutrina: evitar baixas; para tanto, destruir tudo o que apareça à frente dos tanques ou abaixo dos aviões ou na mira dos canhões dos barcos. Os estrategistas estão trabalhando, não só para matar 80 palestinenses para salvar um soldado, como está acontecendo; estão preparados para matar 800 palestinenses, por israelense. Evitar baixas é, hoje, o primeiro mandamento em Israel. Para tanto, estão matando número recorde de civis palestinenses.
O que aí se vê é a escolha consciente de um tipo particularmente cruel e injusto de estratégia de guerra. Esse erro é o calcanhar de Aquiles do exército de Ehud Barak.
Um homem sem imaginação como Barak (seu slogan eleitoral é "Não um bom sujeito. Um líder!"), não faz idéia de como gente de bem, em todo o mundo, reage ante assassinatos de famílias inteiras, destruição de casas, soterramento de mães e filhos, pilhas de cadáveres de meninos e meninas envoltos em mortalhas brancas, a relatórios que informam sobre feridos que sangram até morrer, porque o exército de Israel impede o trânsito de ambulâncias; ante assassinatos médicos e paramédicos que tentam cumprir seu dever; ou de motoristas de caminhões da ONU que dirigem caminhões que transportam farinha. O mundo está horrorizado com o que está vendo. Nenhum argumento eleitoral ou estratégico terá jamais qualquer força, ante a imagem de uma menina ferida, no chão, procurando a mãe.
Os estrategistas de Israel supuseram que impediriam o mundo de ver essas cenas; que bastaria impedir o trabalho dos jornalistas. Os jornalistas israelenses, para sua perpétua vergonha, deram-se por satisfeitos com os releases e imagens oficiais, fornecidas pelo porta-voz do exército, como se fossem notícia e fato; ao mesmo tempo, preservaram-se, a quilômetros de distância de qualquer perigo.
A imprensa estrangeira também foi proibida de trabalhar, mas os jornalistas estrangeiros, pelo menos, protestaram. Conseguiram ser levados em tours rápidos pelas cidades, em grupos pequenos, selecionados e fiscalizados.
Fato é que, nas guerras modernas, esse tipo de noticiário estéril e manufaturado já não exclui completamente outras vias de obter e distribuir informação. Há máquinas fotográficas e filmadoras com a população, na Faixa, no meio do inferno. E, essas, não podem ser controladas. As equipes da rede Al-Jazeera distribuem imagens e boletins 24 horas por dia. E todas as casas recebem as imagens.
Essa batalha, pelas telas de televisão, é hoje uma das mais decisivas de toda a guerra de Gaza.
Centenas de milhões de árabes, da Mauritânia ao Iraque, mais de um bilhão de muçulmanos, da Nigéria à Indonésia vêem e horrorizam-se. Não se subestime o impacto dessas redes, sobre o desenrolar da guerra de Gaza. Milhões de pessoas estão assistindo ao que fazem e dizem os políticos do Egito, da Jordânia e da Autoridade Palestinense. Para muitos, todos esses aparecem como colaboracionistas, como parceiros de Israel, nas atrocidades de que são vítimas, hoje, seus irmãos palestinenses.
Os serviços de segurança de vários regimes árabes já registram uma fermentação perigosa em vários países. Hosny Mubarak, de todos os líderes árabes o que está mais exposto, por ter fechado a passagem de Rafah, praticamente diante de multidões de refugiados apavorados, está sendo forçado a pressionar Washington, que, até há pouco tempo recusava-se a cogitar de qualquer tipo de acordo para o cessar-fogo. Todos já começam a pressentir algum tipo de grave ameaça aos interesses vitais dos EUA no mundo árabe. De fato, já mudaram de atitude – o que causou consternação entre os complacentes diplomatas israelenses.
Gente que sofra de insanidade moral não pode, mesmo, entender os motivos que regem a ação de gente normal. "Quantas divisões tem o Papa?" perguntou Stálin. "Quantas divisões têm os seres humanos decentes?" – deve estar-se perguntando, agora, Ehud Barak.
Fato é que os seres humanos decentes têm, sim, algumas divisões. Não muitas. Nem capazes de reação muito rápida. Nem são muito poderosas, nem muito bem organizadas. Mas num determinado momento, quando as atrocidades cometidas por Israel começaram a vazar por todos os lados, começaram a surgir protestos em massa, de grande envergadura. Esses protestos podem decidir uma guerra.
O erro, o fracasso, a incapacidade para perceber a real natureza do Hamás levou a outros erros, de resultados previsíveis. De um lado, Israel é incompetente para vencer. De outro lado, o Hamás não perderá essa guerra.
Ainda que Israel conseguisse matar todos os combatentes do Hamás, até o último homem, ainda assim o Hamás venceria. Os combatentes do Hamás passarão a ser vistos como exemplos para o mundo árabe, heróis do povo da Palestina, exemplo a ser copiado para todos os jovens árabes. A Cisjordânia cairá no colo do Hamás, como fruta madura. O Fatah naufragará num mar de escárnio, vários regimes árabes estarão sob risco de colapso.
Se, ao final dessa guerra, ainda houver Hamás, dilacerado, que seja; em frangalhos, que seja, mas ainda vivo, sobrevivente à fuzilaria da máquina militar de Israel, será a mais prodigiosa das vitórias, será fantástico, será como o espírito que derrotou a matéria.
Na consciência do mundo estará fixada a imagem de uma Israel sedenta de sangue, pronta para, a qualquer momento, cometer os mais atrozes crimes de guerra, que nada detém, nenhuma rédea moral. As consequências serão muito severas, para o futuro de longo prazo de Israel, para nossa existência no mundo, para as chances de Israel algum dia poder viver em paz e sossego.
No fim a guerra de Gaza é, sobretudo, guerra contra Israel, também. É crime contra o Estado de Israel.
* URI AVNERY, 10/1/2009, "How Many Divisions?", Gush Shalom [Grupo da Paz], Israel, distribuído por e-mail, hoje. Tradução de Caia Fittipaldi, autorizada pelo autor.
Quarta-feira, Janeiro 07, 2009
Enquanto isso...
http://ingaza.wordpress.com

Eyad Baba/AP
Palestino caminha pelos destroços de edifícios destruídos pelos recentes bombardeios aéreos israelenses no campo de refugiados de Rafah.
Terça-feira, Janeiro 06, 2009
Sexta-feira, Dezembro 26, 2008
Então vamos a 2009!
"A felicidade consiste em dar passos rumo a si mesmo e olhar o que se é", José Saramago.
Sexta-feira, Novembro 21, 2008
41º Festival de Brasília
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Um festival que mantém suas principais categorias fechadas à projeção digital, deveria refletir sobre o que diferencia um produto audiovisual com narrativa televisiva de uma obra artística cinematográfica. Não é mais uma questão de bitola de captação. Não é mais uma questão de qualidade da cópia de exibição. É a linguagem, óbvio. E um Festival de Cinema pode ou deve considerar estas questões?
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"O Milagre de Santa Luzia", (Sergio Roizenblit, 104min, SP), longa de estréia do diretor, que abriu a competição é uma etnografia musical pelo país, conduzida por Dominuinhos, pela sanfona (gaita, no sul), e pela estrutura narrativa televisiva e rígida, derivada, talvez, da falta de reflexão sobre a teoria antropológica e sobre a realização etnográfica. O resultado é um filme bonito aos olhos e ouvidos, mas cego e surdo às idéias.
Porque repetir a cada mudança de ambiente, uma série de imagens da terra, do povo até chegar à sanfona? Euclides, com seus capítulos A Terra, O Povo e A Guerra? O homem, então o sanfoneiro, é produto da terra onde vive? Conhecimento da teoria antropológica desatualizado, simplificado ou ausente?
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FilmeFobia, (Kiko Goifman, 80min, SP), é um filme sobre um filme sobre personagens expostos às suas fobias. Ora são atores, ora são fóbicos. Acompanhando as experiências, reflexões dos realizadores, liderados pelo diretor do filme dentro do filme, Jean Claude Bernardet, que chama até Zé do Caixão para auxiliá-los. Mas, sobre um tema "controvertido", comentários ora rasos, ora simplificadores, ora senso comum.
Exibicionismo, sadismo, masoquismo, tortura consentida, método terapeutico? Ao ouvir o comentário sobre a desproporção entre a força das imagens e a falta de força das palavras, o diretor disse "desculpa aí, trabalhamos com improviso...".
Segunda-feira, Maio 12, 2008
En torno a lo político - Chantal Mouffe

Partindo de idéias do controvertido pensador Carl Schmitt, que aderiu ao nazismo, Chantal Mouffe, em seu livro "En torno a lo político" (1ª ed.- Buenos Aires: Fondo de Cultura Economica, 2007), analisa as consequências da crença na possibilidade de um consenso racional universal, que, na sua visão, levou o pensamento democrático a um caminho equivocado. Seu alvo é o discurso que defende que não há mais espaço para a política em termos de direita/esquerda, que não existem mais antagonismos na sociedade e que através do diálogo e da deliberação todos os confrontos se resolverão. Enfim, que chegamos à era pós-política.
Com Schmitt, ela argumenta que "ao contrário do que os teóricos pós-políticos querem que pensemos, o que está acontecendo na atualidade não é o desaparecimento do político na sua dimensão adversarial, mas algo diferente. O que acontece é que atualmente o político se expressa em um registro moral. Em outras palavras, ainda consiste em uma discriminação nós/eles, mas o nós/eles, em lugar de ser definido mediante categorias políticas, se estabelece agora em termos morais. Em lugar de uma luta entre "direita/esquerda" nos encontramos em uma luta entre "bem e mal"."
O que ela propõe é que não é possível erradicar o antagonismo, mas encontrar meios em que a disputa política não se faça em termos de amigo/inimigo, quando o que importa é exterminar o outro, mas de adversários, quando os diferentes admitem a legitimidade de posições distintas, o que ela denomina de uma disputa "agonista".
A sua análise se estende da política interna à internacional, da sociologia à psicanálise, do populismo de direita ao terrorismo, mostrando como a visão de um mundo livre, globalizado, sem direita nem esquerda, sem inimigos; uma democracia absoluta, cosmopolita, livre de conflitos partidários, difundida na maioria dos países ocidentais, na verdade, o que produz é o enfraquecimento da democracia.
Quinta-feira, Maio 08, 2008
Momentos que marcam as diferenças
E para recolocar a questão em seus devidos termos, Agripino não errou ao falar da ditadura, errou ao apoiá-la.
Segunda-feira, Maio 05, 2008
Fotogenia eleitoral - por Roland Barthes
"A fotografia eleitoral é, pois, antes de mais nada, reconhecimento de uma profundidade, de um irracional extensivo à política. O que é exposto, através da fotografia do candidato, não são seus projetos, são suas motivações, todas as circunstâncias familiares, mentais, e até eróticas, todo uma estilo de vida de que ele é, simultaneamente, o produto, o exemplo, e a isca. É óbvio que aquilo que a maior parte dos nossos candidatos propõe através de sua efígie é uma posição social, o conforto especular das normas familiares, jurídicas, religiosas, a propriedade infusa de certos bens burgueses, tais como, por exemplo, a missa de domingo, a xenofobia, o bife com batatas fritas, e o cômico das situações de infidelidade conjugal, ou seja, aquilo a que se chama ideologia. Naturalmente, o uso da fotografia eleitoral supões uma cumplicidade: a foto é espelho, ela oferece o familiar, o conhecido, propões ao leitor a sua própria efígie, clarificada, magnificada, imponentemente elevada à condição de tipo. É, aliás, esta ampliação valorativa que define exatamente a fotogenia: ela exprime o eleitor e, simultaneamente, transforma-o num herói; ele é convidado a eleger-se a si próprio, incumbindo o mandanto que vai dar de uma verdadeira transferência física: delega de algum modo a sua "raça"."
BARTHES, Roland, Mithologies; Paris: Editions du Soleil, 1956; Mitologias; Rio de Janeiro, RJ: Ed. Bertrand Brasil, 1989.
Segunda-feira, Abril 28, 2008
O programa do PSOL - "a vilania com os oprimidos"
Luciana Genro, ao ar livre, em Porto Alegre, câmera também de baixo para cima, se esforçando para demonstrar empatia com o telespectador, "contracenando" com o seu íntimo Sr. Ruas em uma mesa de bar. O senador José Nery em seu gabinete, olhando para o lado, lendo com "naturalidade" seu texto "acessível" sobre a reforma tributária. Chico Alencar tentando mostra firmeza sem perder sua ternura, dizendo que propôs a abertura de mais uma CPI para investigar...o quê mesmo? Ivan Valente, nas ruas de São Paulo, falando sobre... esquecí...
Paremos por aqui para não chegarmos ao jogo dos 50 erros, número do partido.
Imagens tecnicamente aceitáveis, equivocadas apenas no posicionamento da câmera de baixo para cima e exceto as de Porto Alegre, apresentando pulos de frames, texto claramente inadequado para televisão e um conteúdo deslocado da realidade desperdiçaram 10 minutos no horário nobre de um partido que imagina falar com o povo, mas só consegue atingir seus seguidores, mesmo assim deixando lembranças fragmentadas da sua mensagem.
Em resumo, se utilizando dos meios mais conservadores de comunicação, o partido que se pensa de esquerda, foi de uma incapacidade atroz de oferecer aos eleitores idéias, pensamentos, argumentos, frases, slogans ao menos. No quesito comunicabilidade, o programa do Psol pecou exatamente no que a ex-senadora, candidata a Jânio Quadros dos tempos que correm, acusou o governo: uma "vilania com os oprimidos". Bastou a primeira frase do apresentador do Jornal Nacional, clara, direta, curta, simples, objetiva, para perceber o abismo.
Próximos programas partidários nacionais...
Sexta-feira, Abril 25, 2008
Proverbios y cantares - XXIX
el camino y nada más;
Caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace el camino,
y al volver la vista
atrás se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante no hay camino
sino estelas en la mar.
Antonio Machado
(Sevilha, 26 de julho de 1875 — †Collioure, França, 22 de fevereiro de 1939)
Quarta-feira, Abril 23, 2008
A morte do embaixador
Story line
Em 2007, a morte de Santos, soldado das tropas brasileiras a serviço da ONU no Haiti, leva seu amigo, Oliveira, um motorista de táxi em Salvador, a investigar um crime ocorrido 30 anos antes: o assassinato do embaixador haitiano, que visitava freqüentemente a Bahia, atraído por sua amante e pelo Candomblé. Em busca de informações encontra investigadores, jornalistas e historiadores que lhe darão um painel da época e do que se descobriu e do que se encobriu em torno do assassinato.
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O pano da costa
Argumento para filme etnográfico média-metragem
Justificativa
Os primeiros Alakás, ou panos da costa, vieram nos corpos das escravas, que eram vendidas neles enroladas, para depois serem tecidos no Brasil, no século XVIII. O pano da costa saiu da Costa do Marfim, na África, como um complemento da vestimenta das mulheres negras, no Brasil foi introduzido no culto dos orixás e daí transbordou para outras áreas da cultura.
Patrimônio cultural imaterial, herança afro descendente, o pano da costa é produzido em tear manual, e é formado por tiras de dois metros de comprimento, com largura entre 10 a 15 centímetros, que são depois costuradas. A sua produção local quase cessou, mas a partir da década de 80 passou a chamar a atenção de etnógrafos, e hoje vive uma nova fase.
Devotar um documentário etnográfico ao pano da costa permite aliar o interesse por uma riqueza cultural à importância de um conhecimento antropológico articulado com a herança africana.
Segunda-feira, Março 17, 2008
Penca de gente
Em fase de produção

Sinopse
A partir de fragmentos de seus sonhos, Ricardo parte para sua rotina diária: acorda, se arruma para sair, pega o elevador, anda pelas ruas, trabalha em uma livraria, se encontra com uma amiga/namorada (Maria, por volta de 30 anos), freqüenta sua sessão de psicoterapia. Em cada uma das cenas, as suas partes constitutivas da individualidade se manifestam em concordância, em dissonância, em contradição, em conflito, em silêncio.
Em um ritmo crescente, os processos internos se tornam visíveis, com a multiplicação do personagem em cena. A realidade fragmentária da psique de Ricardo se impõe demonstrando a complexidade inerente ao processo de individuação. A sua experiência acaba contagiando sua amiga/namorada Maria.
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